19 de Novembro de 2009
Soneto da Fidelidade....de Vinicius de Moraes
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei-de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
VINICIUS DE MORAES
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13 de Novembro de 2009
ESTA ESPÉCIE DE LOUCURA....poema de ....FERNANDO PESSOA

Esta espécie de loucura
Que é pouco chamar talento
E que brilha em mim, na escura
Confusão do pensamento,
Não me traz felicidade;
Porque, enfim, sempre haverá
Sol ou sombra na cidade.
Mas em mim não sei o que há
Fernando Pessoa
in "Cancioneiro"
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9 de Novembro de 2009
HINO DA PRIMEIRA CARTA AOS CORINTIOS.......... São Paulo ( Século I)
Se eu falasse as línguas dos homens e até as dos anjos, mas não tivesse amor
seria bronze que soa ou címbalo que tine.
Se tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e todos os saberes, se a minha fé fosse a ponto de mover montanhas, mas não tivesse amor, eu nada seria.
Se repartisse pelos pobres tudo quanto tenho, e meu corpo entregasse ás labaredas mas não tivesse amor, nada ganharia.
O amor paciente, repleto de bondade, o amor que desconhece inveja e não ostenta orgulho, o amor sem vaidade, que descura o próprio interesse, e não se irrita e não suspeita mal, o amor que não colhe alegria da injustiça, mas se alegra com a verdade;
tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acabará:
há um tempo em que vacilam as profecias, as línguas emudecem e o saber desaparece
porque só em parte conhecemos e só em parte profetizamos, mas quando chega a perfeição
os limites apagam-se.
Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança, pensava como criança:
quando me tornei homem abandonei as coisas de criança.
Agora vemos para um espelho, e de maneira obscura, o que depois veremos face a face.
Agora conheço apenas uma parte, mas então conhecerei conforme também sou conhecido.
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5 de Novembro de 2009
* Tive Um Coração, Perdi-o *....poema de AMÁLIA RODRIGUES
Tive um coração, perdi-o
Ai quem mo dera encontrar,
Preso no fundo do rio
Ou afogado no mar.
Quem me dera ir embora,
Ir embora sem voltar,
A morte que me namora
Já me pode vir buscar.
Tive um coração, perdi-o
Ainda o vou encontrar,
Preso no lodo do rio,
Ou afogado no mar.
AMÁLIA RODRIGUES
do livro " Amália, Fados, Poemas e Flores "
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1 de Novembro de 2009
A Folha de Salgueiro...... poema de António Feijó
Adoro essa mulher moça e formosa,
Que à janela, a sonhar, vejo esquecida,
Não por ter uma casa sumptuosa
Junto ao Rio Amarelo construída...
- Amo-a porque uma folha melindrosa
deixou cair nas águas, distraída.
Também adoro a brisa do Levante,
Não por trazer a essência virginal
Do pessegueiro que floriu distante,
No pendor da Montanha Oriental...
Amo-a porque impeliu a folha errante
Ao meu batel, no lago de cristal.
E adoro a folha, não por ter lembrado
A nova Primavera que rompeu,
Mas por causa do nome idolatrado
Que essa jovem mulher nela escreveu
Com a doirada agulha do bordado...
E esse nome...era o meu!
António Feijó
do Livro * ROSA DO MUNDO *
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27 de Outubro de 2009
AÇORES..... poema de VITOR CINTRA
Nove ilhas de beleza deslumbrante,
Surgidas do profundo mar imenso,
Que o mundo conheceu porque o Infante
Tornou o nevoeiro menos denso.
Encostas de mosaicos verdejantes
Elevam-se, rumando ao infinito.
Hortênsias, feitas sebes, são constantes,
Tornando o colorido mais bonito.
Ali, onde gigantes residiram,
Os cumes das montanhas que explodiram,
Tornados em lagoas de beleza,
Relembram, aos herdeiros dos atlantes,
Que até já os primeiros navegantes
Sabiam respeitar a natureza.
VITOR CINTRA
do livro " Entre o Longe e o Distante "
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25 de Outubro de 2009
NO MEIO DO MAR poema de " JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO "
Nasci nas ondas que beijam
As encostas dum vulcão…
E quando à noite adormeço
A minha terra é o berço
Que embala o meu coração!
Por tecto só tenho nuvens
Meu horizonte é o mar …
Se tivesse asas, um dia,
Certamente que partia
Para nunca mais voltar.
…………………………….
Querer partir e não ter
Um chão para caminhar!
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
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24 de Outubro de 2009
Sim, Sei Bem ....poema de FERNANDO PESSOA
Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.
FERNANDO PESSOA
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22 de Outubro de 2009
O Sonho...poema de....SEBASTIÃO DA GAMA
Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.
SEBASTIÃO DA GAMA
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20 de Outubro de 2009
URGENTEMENTE.....poema de....EUGÉNIO DE ANDRADE

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.
É urgente inventar a alegria,
Multiplicar as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
Permanecer.
EUGENIO DE ANDRADE
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16 de Outubro de 2009
No Meio o Mundo....poema de ...VITORINO NEMÉSIO
Com medo de o perder nomeio o mundo
Seus quantos e qualidades, seus objectos
E assim durmo sonoro no profundo
Poço de astros anónimos e quietos
Nomeei as coisas e fiquei contente
Prendi a frase ao texto do universo
Quem escuta ao meu peito ainda lá sente
Em cada pausa e pulsação, um verso.
VITORINO NEMÉSIO
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12 de Outubro de 2009
Um Poema.....de MIGUEL TORGA

Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...
MIGUEL TORGA
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11 de Outubro de 2009
Amélia dos Olhos Doces...poema de ...JOAQUIM PESSOA

Amélia dos Olhos Doces
quem é que te trouxe
grávida de esperança?
Um gosto de flor na boca.
Na pele e na roupa
perfumes de França.
Cabelos cor de viúva.
Cabelos de chuva.
Sapatos de tiras
e pões, quantas vezes
não queres e não amas
os homens que dormem
contigo na cama.
Amélia dos Olhos Doces
quem dera que fosses
apenas mulher.
Amélia dos Olhos Doces
se ao menos tivesses
direito a viver!
Amélia gaivota
amante ou poeta.
Rosa de café.
Amélia gaiata
do Bairro da Lata.
Do Cais do Sodré.
Tens um nome de navio.
Teu corpo é um rio
onde a sede corre.
Olhos Doces. Quem diria
que o amor nascia
onde Amélia morre?
Cabelos cor de viúva.
Cabelos de chuva.
Sapatos de tiras
e pões, quantas vezes
não queres e não amas
os homens que dormem
contigo na cama.
Joaquim Pessoa
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10 de Outubro de 2009
HOJE----------- Lançamento do Novo Livro do Poeta VITOR CINTRA " ENTRE O LONGE E O DISTANTE "
a ideia ganhou força e vai mesmo acontecer.
Porque não é possível convidar pessoalmente todos os amigos do poeta VITOR CINTRA, deixo-vos aqui o convite.

****************
LOUCOS ......poema de VITOR CINTRA

Não são muitos, nem são poucos,
Os poetas, bem seguros,
Encerrados entre muros
Sob o rótulo de loucos.
São apenas os bastantes
P'ra provar que a poesia
É temida, e não devia,
Tanto ou mais do que era dantes.
Porque abordam quaisquer temas,
Nas estrofes dos poemas,
Incomodam co'as verdades.
É por isso que os poetas
São, por formas indirectas,
Reprimidos entre grades.
VITOR CINTRA
do livro " RELANCES "
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9 de Outubro de 2009
A SOLIDÃO DE UM HOMEM NA SUA CASA ...poema de Alexandre Dale

Aquele homem estava em sua casa,
a comer bolachas com manteiga
e a beber leite frio.
A certo momento,
deu-lhe para reparar em todas as coisas
que o rodeavam.
Havia meias de mulher
numa corda esticada por cima da sua
cabeça, loiça suja sobre a
mesa, fruta de verão a
apodrecer
— e até, algures, um
gato.
Havia muitas coisas, sem dúvida,
mas aquelas três ou quatro bastavam-lhe
para que se sentisse um estranho
naquele lugar — ou ele mesmo,
mas noutro lugar. Era como
se estivesse ali pela primeira vez.
e daí sentiu
que podia estar a ser
como se fosse um homem
de qualquer parte do mundo:
um homem com as suas
questões habituais,
os seus problemas típicos,
as suas esperanças,
os seus receios.
Um homem sozinho — porque
membro de toda e qualquer família,
pai de todos os filhos, amante ou
companheiro de todas as mulheres,
sangue,
avô,
amizade,
semelhante.
E então aquele homem pensou:
agora
vou-me deitar ao lado da minha
mulher, que dorme hoje na
falta de mim — eu, talvez perdido
na obscura noite das minhas obsessões
— e, no entanto,
parece-me que tudo isto
está cada vez mais estranho.
Quer dizer: não sei que mulher é essa.
Não a conheço.
Pensando bem, nem sequer das suas feições
me consigo lembrar.
todavia, sei que está lá.
Desejo-a.
Através dela, cavalheiros,
aprendi que todas as mulheres desejam sentir,
cada vez que fazem amor,
o incómodo ou dúbio prazer
de estarem a ser violadas.
E então o homem escreve,
e sente-se só, na sua casa,
e não sabe o que há-de fazer.
Fuma.
Escreve mais um pouco.
Talvez escreva isto.
Talvez escreva:
"sei muito bem do que estou a falar".
Mas a verdade é que é muito difícil
falar-se da solidão de um homem
na sua própria casa.
Sei muito bem
do que estou a falar.
ALEXANDRE DALE
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3 de Outubro de 2009
Não Posso Adiar.... A.RAMOS ROSA

Não posso adiar o amor para outro século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio
Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
A.RAMOS ROSA
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1 de Outubro de 2009
Amor Combate ....poema de JOAQUIM PESSOA

Meu amor que eu não sei. Amor que eu canto. Amor que eu digo.
Teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto. Por quem fico. Por quem vivo.
Teus olhos são da cor do sofrimento.
Amor-país.
Quero cantar-te. Como quem diz:
O nosso amor é sangue. É seiva. É sol. É Primavera.
Amor intenso. amor imenso. amor instante.
O nosso amor é uma arma. É uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.
O nosso amor é pássaro voando. Mas à toa.
Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa.
Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.
O nosso amor é como a flor do aloendro.
Deixa-me soltar estas palavras amarradas
para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper. Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade. Amor-cidade.
Amor-combate. Amor-abril.
Este amor de liberdade.
JOAQUIM PESSOA
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30 de Setembro de 2009
Eu sei, Não te conheço Mas existes....poema de JOAQUIM PESSOA

Eu sei, não te conheço mas existes.
por isso os deuses não existem,
a solidão não existe
e apenas me dói a tua ausência
como uma fogueira
ou um grito.
Não me perguntes como mas ainda me lembro
quando no outono cresceram no teu peito
duas alegres laranjas que eu apertei nas minhas mãos
e perfumaram depois a minha boca.
Eu sei, não digas, deixa-me inventar-te.
Não é um sonho, juro, são apenas as minhas mãos
sobre a tua nudez
como uma sombra no deserto.
É apenas este rio que me percorre há muito e desagua em ti,
Porque tu és o mar que acolhe os meus destroços.
É apenas uma tristeza inadiável, uma outra maneira de habitares
Em todas as palavras do meu canto
Tenho construído o teu nome com todas as coisas.
tenho feito amor de muitas maneiras,
docemente,
lentamente
desesperadamente
à tua procura, sempre à tua procura
até me dar conta que estás em mim,
que em mim devo procurar-te,
e tu apenas existes porque eu existo
e eu não estou só contigo
mas é contigo que eu quero ficar só
porque é a ti,
a ti que eu amo..
JOAQUIM PESSOA
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Viver Sempre Também Cansa....poema de JOSÉ AUGUSTO GOMES FERREIRA
Viver sempre também cansa.
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25 de Setembro de 2009
ESPERO poema de Sophia de Mello Breyner Andersen
Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.
Sophia de Mello Breyner
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20 de Setembro de 2009
COMO UMA ILHA,SOZINHA de Pedro Abrunhosa

Tu és todos os livros,
Todos os mares,
Todos os rios,
Todos os lugares.
Todos os dias,
Todo o pensamento,
Todas as horas
O teu corpo no vento.
Tu és todos os sábados,
Todas as manhãs,
Toda a palavra
Ancorada nas mãos.
Tu és todos os lábios,
Todas as certezas,
Todos os beijos
Desejos, princesa.
Como uma ilha,
Sozinha...
Prende-me em ti,
Agarra-me ao chão,
Como barcos em terra
Como fogo na mão,
Como vou esquecer-te,
Como vou eu perder-te,
Se me prendes em ti,
Agarra-me ao chão,
Como barcos em terra,
Como fogo na mão,
Como vou eu lembrar-te
Se a metade que parte
É a metade que tens.
Tu és todas as noites
Em todos os quartos,
Todos os ventos
Em todos os barcos.
Todos os dias
Em toda a cidade,
Ruas que choram
Mulheres de verdade.
Tu és só o começo
De todos os fins,
Por isso eu te peço
Fica perto de mim.
Tu és todos os sons
De todo o silêncio,
Por isso eu te espero
Te quero e te penso.
Como uma ilha,
Sozinha...
PEDRO ABRUNHOSA
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18 de Setembro de 2009
SOU UM EVADIDO poema de Fernando Pessoa

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.
FERNANDO PESSOA
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15 de Setembro de 2009
Se Tanto Me Dói que as Coisas Passem.....poema de Sophia de Mello Breyner Andersem
Sophia de Mello Breyner Andresen
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5 de Setembro de 2009
OS AMIGOS poema de Eugénio de Andrade

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.
EUGÉNIO DE ANDRADE
"Coração do Dia"
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2 de Setembro de 2009
SELO DOURADO

Recebi do Blog "
o que me deixou muito honrada, daí que faço questão de o passar a outros blogs, conforme me indicou a minha querida Méi@, autora do dito blog.
Assim, nomeio alguns dos blogs , ja que não posso nomear TODOS.
Obrigada MÉI@.
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31 de Agosto de 2009
INTIMIDADE poema de VITOR CINTRA
Teu rosto, sorriso aberto,
E o dia feito uma hora,
Mas, quando te vais embora,
VITOR CINTRA
Do novo livro " PEDAÇOS DO MEU SENTIR "
À venda nas livrarias, consulte:
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22 de Agosto de 2009
POEMA de Sophia de Mello Breyner Anderson
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
Sophia de Mello Breyner Andresen
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19 de Agosto de 2009
JEITO DE SER poema de Gracinda Medeiros
Abraço o mundo
Vejo a vida
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16 de Agosto de 2009
Letras das músicas que inspiram o meu blog

VOCÊ NÃO SABE
Você não sabe quanta coisa eu faria,
Além do que já fiz.
Você não sabe até onde eu chegaria,
Pra te fazer feliz.
Eu chegaria,
Onde só chegam os pensamentos,
Encontraria, uma palavra que não existe,
Pra te dizer, nesse meu verso quase triste,
Como é grande o meu amor.
Você não sabe, que os anseios do seu coração,
São muito mais pra mim,
Do que as razões que eu tenha,
Pra dizer que não...
E eu sempre digo, sim!
E ainda que, a realidade me limite,
A fantasia dos meus sonhos, me permite,
Que eu faça mais, do que as loucuras
Que já fiz, pra te fazer feliz.
Você só sabe,
Que eu te amo tanto,
Mas na verdade
Meu amor, não sabe o quanto,
E se soubesse, iria compreender,
Razões que só quem ama assim, pode entender.
Você não sabe, quanta coisa eu faria,
Por um sorriso seu.
Você não sabe,
Até onde chegaria,
Amor igual ao meu .
Mas se preciso for,
Eu faço muito mais,
Mesmo que eu sofra,
Ainda assim eu sou capaz,
De muito mais...
Do que as loucuras que já fiz,
Pra te fazer feliz!
Erasmo Carlos e Roberto Carlos
**********************
O MEU AMOR EXISTE
O meu amor tem lábios de silêncio,
E mãos de bailarina...
E voa como o vento,
E abraça-me, onde a solidão termina.
O meu amor tem trinta mil cavalos,
A galopar no peito...
E um sorriso só dela,
Que nasce, quando a seu lado eu me deito.
O meu amor, ensinou-me a chegar,
Sedento de ternura,
Sarou as minhas feridas,
E pôs-me a salvo, para além da loucura.
O meu amor, ensinou-me a partir...
Nalguma noite triste,
Mas antes, ensinou-me...
A não esquecer, que o meu amor existe!
JORGE PALMA
**********************
ESTRELA DO MAR
de Jorge Palma
Numa noite em que o céu, tinha um brilho mais forte,
e em que o sono parecia, disposto a não vir.
fui estender-me na praia, sozinho ao relento,
e ali longe do tempo, acabei por dormir.
Acordei com o toque, suave de um beijo...
e uma cara sardenta, encheu-me o olhar,
ainda meio a sonhar, perguntei-lhe quem era,
ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar
Sou a estrela do mar...
só a ele obedeço, só ele me conhece,
só ele sabe quem sou, no princípio e no fim,
só a ele sou fiel, e é ele quem me protege,
quando alguém quer à força,
ser dono de mim.
Não sei se era maior, o desejo ou o espanto,
só sei que por instantes, deixei de pensar...
uma chama invisível, incendiou-me o peito,
qualquer coisa impossível, fez-me acreditar.
Em silêncio trocámos, segredos e abraços,
inscrevemos no espaço, um novo alfabeto,
já passaram mil anos, sobre o nosso encontro,
mas mil anos são pouco ou nada, para a estrela do mar...
JORGE PALMA
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14 de Agosto de 2009
AMOR e SONO poema de Algernon Charles Swinburne

Deitado a dormir entre os afagos da noite
Vi o meu amor debruçar-se sobre o meu leito,
Pálida como a mais escura folha do lírio ou corola
De pele macia e escura,
o pescoço nu para ser mordido,
*
Transparente de mais para corar,
tão quente para ser branca,
Apenas de uma cor perfeita sem branco nem vermelho.
E os lábios abriram-se-lhe amorosamente e disseram -
Nem sei bem o quê, excepto uma palavra -Deleite.
*
E a face dela era toda mel na minha boca,
E o corpo dela todo pasto a meus olhos;
Os braços longos e lentos,
as mãos quentes de fogo,
*
As ancas frementes,
o cabelo a cheirar a Sul,
os pés leves luzentes,
as coxas esplêndidas e dóceis
E as pálpebras fulgentes
com o desejo da minha alma.
Charles SwinburneLondres, 1837
Trad. Helena Barras
do livro * Rosa dos Ventos *
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13 de Agosto de 2009
Aperta-me Junto de Ti....poema de Rui Ressurreição
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11 de Agosto de 2009
AMARRAS...poema de Rui Ressurreição
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9 de Agosto de 2009
QUEM ÉS?... poema de Ângelo Gomes
És o sonho que se vislumbra ao longe
Ângelo Gomes
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5 de Agosto de 2009
O CASAMENTO poema de Willem Elsschot ( Bélgica)
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3 de Agosto de 2009
" Desejo " poema de VITOR HUGO

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".
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1 de Agosto de 2009
Memória poema de Cecília Meireles
Dedico á minha MÃE, onde quer que esteja, hoje dia do seu aniversário.
COM SAUDADES
Tão longe, a minha família!
Tão dividida em pedaços!
Um pedaço em cada parte...
Pelas esquinas do tempo,
brincam meus irmãos antigos:
uns anjos, outros palhaços...
Seus vultos de labareda
rompem-se como retratos
feitos em papel de seda.
Vejo lábios, vejo braços
- por um momento persigo-os;
de repente, os mais exatos
perdem sua exatidão.
Se falo, nada responde.
Depois, tudo vira vento
e nem o meu pensamento
pode compreender por onde
passaram nem onde estão.
CECÍLIA MEIRELES
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28 de Julho de 2009
A BOCA poema de Umberto Saba ( Itália )
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24 de Julho de 2009
Eu Não Sou de Ninguém.... poema de FLORBELA ESPANCA
Há-de ser seiva no botão repleto,
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22 de Julho de 2009
Poema de Ângelo de Lima
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz do esquecimento.
Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado,
Pára e fica, e demora-se um momento.
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13 de Julho de 2009
A Mulher Que Passa poema de Vinicius de Moraes

A mulher que passa
Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me concontrava se te perdias?
Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
Que fica e passa, que pacífica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.
Vinícius de Moraes
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11 de Julho de 2009
O poema da " MENTE " desconheço o autor

O POEMA DA 'MENTE'
Há um primeiro-ministro que mente.
Mente de corpo e alma, completamente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele mente sinceramente.
Mas que mente, sobretudo, impunemente...
Indecentemente... mente.
E mente tão racionalmente,
Que acha que mentindo vida fora,
Nos vai enganar eternamente.
Desconheço o autor , mas achei bastante divertido, e por isso, partilho aqui a brincadeira.
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9 de Julho de 2009
* ALMA MINHA GENTIL QUE PARTISTE * Luis Vaz de Camões

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Luis Camões
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3 de Julho de 2009
Não sei Nada....poema de Ilda Silva Lisboa

NÃO SEI NADA
Não sei se chore se ria, desta vida de amargura;
Rir talvez faça um dia, choro em qualquer altura.
Não sei se escreva se pense, no que será melhor para mim;
Escrever talvez compense, pensar seria sem fim.
Não sei se pare ou caminhe, sobre o traço que me impus;
Se caminhar talvez definhe, parar também não seduz.
Não sei se fale se grite, tudo o que me vai na alma;
Falar talvez agite, gritar talvez traga calma.
Não sei se vença a doença, ou por ela me deixe vencer;
Sinto que me falta crença e tenho pouco a perder.
Não sei se sofra se morra, sinto não haver opção;
Se para o abismo corra, ou me encerre em prisão.
Já não sei se trave a tempo, ou da falésia resvale;
Só saberei no momento em que a brisa do mar me cale.
Nunca soube o que fazer, sempre andei à deriva;
Eu só queria enfim morrer, os outros querem que viva.
Ilda Silva Lisboa
19/5/2009
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1 de Julho de 2009
Que noite serena !.....Àlvaro de Campos heterónimo de Fernando Pessoa

Que noite serena!
Que lindo luar!
Que linda barquinha
Bailando no mar!
Suave, todo o passado — o que foi aqui de Lisboa — me surge...
O terceiro andar das tias, o sossego de outrora,
Sossego de várias espécies,
A infância sem futuro pensado,
O ruído aparentemente contínuo da máquina de costura delas,
E tudo bom e a horas,
De um bem e de um a horas próprio, hoje morto.
Meu Deus, que fiz eu da vida?
Que noite serena, etc.
Quem é que cantava isso?
Isso estava lá.
Lembro-me mas esqueço.
E dói, dói, dói...
Por amor de Deus, parem com isso dentro da minha cabeça.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
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29 de Junho de 2009
Entrar em Ti...
de RUI RESSURREIÇÃO

Ao meu amigo e poeta RUI RESSURREIÇÃO que hoje está de parabéns.
Desejando um dia feliz, que se repita pelos restantes 364 dias do ano, deixo um beijo com muita amizade e carinho, e votos de felicidades.
PARABÉNS RUI, publico aqui um dos teus poemas 
Por vezes é difícil entender a tua maneira de ser
conhecer o teu interior
a tua dor
o que te move por amor.
Que fazes tu no monte das ilusões
essas sensações de sair fora de ti
para longínquos universos
para outras paragens
em busca de novas miragens
em que te iludes com os conceitos da mente
que te engana
que te chama para um território escorregadio
frio e lamacento
em que nas suas conexões
receberás encontrões
e perderás o rumo da tua vida
afundando-te nos lagos cerebrais
e sentindo falta de todos os teus ais
duma alma desencontrada
com a tua mais alta morada
a do amor.
Rui Ressurreição
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26 de Junho de 2009
Cântico VI de Cecília Meireles

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acaba todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Cecília Meireles
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24 de Junho de 2009
Temporais..... poema de Ilda Silva Lisboa

Trovoada sim, trovoada não,
Trovejas dentro de mim.
No silêncio dos trovões e na escuridão dos clarões
invade-me um frio nordestino,
rebelião vespertina que esgota o ar dos pulmões.
Tempestade sim, tempestade não,
cintilam as estrelas;
Muitas daquelas que apontei até os dedos cravejar.
São temporais de ida e volta
que o são para não mais voltar.
Ilda Silva Lisboa
21/2/2009
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21 de Junho de 2009
Em Silêncio de VERA SOUSA SILVA

Deixa-me amar-te assim... em silêncio...
Não me peças palavras que não sei pronunciar, nem gestos que nunca fiz. Não sei tanto do que queria e quero tanto do que não sei.
Olhas-me e perco o norte. Fico muda e desvio o olhar. Não é por não te amar, mas sim por esse amor ser grande demais. Mas em silêncio...
Seria tão fácil dizer que te amo e perder-te. Seria tão simples dançar ao som da ilusão e entregar-me completa, plácida, serena, e acrescentar apenas as letras que faltam quando não digo “Amo-te”!
Não me peças para ser o que não sou, nem para me transformar subitamente em mulher, porque sou apenas menina.
Queria crescer nos teus braços fortes e esconder-me atrás do teu tronco másculo. Mas abraço-te... em silêncio.
Desejo o suave toque acetinado dos teus lábios nos meus e imagino como será um beijo de verdade. Anseio por ele e sonho-o.. em silêncio.
Aproveito-me do que tenho de melhor e sonho... Nos meus sonhos eu sou tua e tu... Tu, meu amor, pertences-me! Todos os dias nos amamos intensamente e somos apenas um do outro! Todos os segundos das minhas noites são aproveitados ao máximo e vividos energicamente, ardentemente, gloriosamente... Chega a manhã e a realidade!
Não me peças palavras que não sei dizer e deixa-me! Deixa-me amar-te assim... em silêncio...
Vera Sousa Silva
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13 de Junho de 2009
Brilho de Sol Tal poema de Ilda Silva Lisboa

BRILHO DE SOL TAL
Oh brisa salgada que vens das profundezas do mar,
Meus lábios te esperam sedentos,
A minha boca permanece amarrada...
Nos meus olhos não há olhar.
Oh como passa gelado o vento da distância,
Passa calado,
Cala um lamento,
Disfarça importância.
Cada vaga ao chegar, trás em si uma mensagem;
Carta que afaga,
Afago ao luar,
Frases de coragem
Mas de manhã, cada raio do sol nascente,
É como um gomo de romã,
Um boquet de flores de Maio,
Um abraço que se sente...
E não há nuvens que ocultem o brilho de um sol tal
Nem há esquemas que resultem,
Nem armadilhas no trilho,
Nem ameaça fatal
À medida que o sol se ergue
E os seus raios me aquecem
Meu sangue quase ferve
Com momentos que não esquecem
Ilda Silva Lisboa
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9 de Junho de 2009
Tempo..... poema de Isabel Valente

Eu quero agarrar o tempo,
Que corre veloz e não cansa.
Mas o tempo, tem todo o tempo,
Corre, corre, atrás do vento,
Numa corrida sem esperança.
Queria contar os grãos de areia,
Que tenho na palma da mão.
E neste querer impossível,
Espalha o vento invisível,
O tempo que me resta, pelo chão.
Assim, é para cada um, a sorte...
Que se trás no destino, ao nascer,
Por muito que tente, lute e se esforce,
Ore e implore, para que a sorte volte,
Esta não muda, só por se querer.
2009.06.08
Isabel Valente
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8 de Junho de 2009
CANÇÃO...poema de Eugenio Florit ( Cuba)

Eco de um sonho que na noite busco
torcendo o frio gris do pensamento.
É tarde já para olhar estrelas
e tenho frio.
Talvez não saiba quando irei olhar-te.
preso à alma de tua grata lembrança
que está a gritar-me lá do sonho
um nome tépido.
Um nome que há-de ser como são as rosas,
doce e fragrante prémio para os lábios;
mais sereno que minha amargura
sem esperança.
Assim verei, na orla destes mares,
para alegrar minhas altas gaivotas,
umas letras unidas ao reflexo
do seu olhar.
Trad: José Bento.
do Livro " Rosa do Mundo "
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6 de Junho de 2009
Esperança..... poema de JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO

Se eu conseguisse viver este dia,
O dia que hoje passa,
Como se fosse o último da minha vida...
Esmagando ressentimentos,
Aleijando-me de toda a podridão
Que me aniquila a Graça,
Que me enegrece a alma
E enluta o coração...
Ai, se eu pudesse suster
Os passos incertos,
No caminho errado,
Do meu viver !
E ao passado não voltar,
E saber esquecer,
Esquecer e perdoar ! ...
Se conseguisse reter
A lágrima que teima,
Dolorida,
Soltar-se dos olhos vidrados,
E que teima
Os rostos enrugados
Dos vencidos da vida ...
Se eu pudesse evadir-me
Deste negro cárcere,
Desta dura e fria prisão
Onde, há muito, vivo
Abandonado,
Cativo,
Nos braços da solidão...
Se eu conseguisse viver
Só dentro de ti,
E tu, bem dentro de mim,
Mas sem ninguém entender
O nosso viver assim ...
Isolado, neste mundo,
Onde a amargura se esconde,
Alimentando uma esperança
Que virá, não sei bem donde ...
- Do horizonte ? Do céu? Do mar?
... Na chama do amor vivendo,
O coração não se cansa,
Não se cansa de esperar! ...
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAUJO
do livro " Outono da Vida "
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1 de Junho de 2009
MENINO DE ROSTO SUJO....peoma de José Maria Lopes de Araújo

A ti, menino de ninguém
Sem norte era teu caminho,
Jornada de mágoa e dor ...
Tinhas sede de carinho ...
Trazias fome de amor !
De rosto sujo, menino ...
Como é negro o teu destino !
A lágrima que rolava
No teu rosto macerado,
Amargamente falava
De um tormentoso passado ...
Um passado curto ainda
Tão tristemente marcado ...
A este mundo, tua vinda
Foi o fruto do pecado !
Dum pecado que persiste
A marcar a tua vida ...
Uma esperança tão triste
Feita de esperança perdida !
Como é negro o teu destino !
De olhos molhados, menino ...
É que não ter o calor
De mãe, de pai ou de alguém,
É viver-se sem amor ,
Sem carinho de ninguém !
No rosto sujo teus olhos
Que trazem tanta amargura,
Mostram bem teu mar de escolhos,
Menino órfão de ventura !
De olhos molhados, menino ...
Como é triste o teu destino !
****************
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
do livro " Outono da Vida "
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29 de Maio de 2009
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA - do livro " MAR BRANCO "

NO TEU CORPO QUENTE
Regressei ao horizonte
no teu corpo quente
Penetrei o meu ser
no teu ser ansioso
És o tudo…sou o tudo…
És o nada, também
Toquei no teto-universo…
e encontrei-me em ti
Já posso partir
para o horizonte
Para o meu gene perdido
Que sou eu
Tive o tudo
tenho o nada
Sou só …. o regressado
Vivo suspenso do teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente
Vivo suspenso no teu corpo quente.
Fernando Monteiro da Câmara Pereira - Dez.1980
(Um açoriano nascido Mariense )
27 de Maio de 2009
* Quero Acabar Entre Rosas ... * poema de Álvaro de Campos

Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância.
Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.
Falem pouco, devagar.
Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento.
O que quis? Tenho as mãos vazias,
Crispadas febrilmente sobre a colcha longínqua.
O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta.
O que vivi? Era tão bom dormir!
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
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26 de Maio de 2009
* Femina * de Soares Feitosa
pois tinham o calor
da tua mão.
Não lavei as mãos
pois tinham os sons
do teu corpo.
Não lavei o corpo
pois tinha os rastos
dos teus gestos;
tinha também, o meu corpo,
a sagrada profanação
do teu olhar
que não lavei.
Nem aqueles lençóis,
não os lavei,
nem os espelhos,
que continuam
onde sempre estiveram:
porque eles nos viram
cúmplices, e a paixão,
no paraíso,
parece que era.
Lavei, sim,
lavei e perfumei
a alma, em jasmim,
que é tua, só tua,
para te esperar
como se nunca tivesses ido
a nenhum lugar:
donde apaguei
todas as ausências
que apaguei
ao teu olhar.
SOARES FEITOSA
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25 de Maio de 2009
Desperta, Amor....poema de JOSÉ MARIA LOPES DE ARAUJO

DESPERTA, AMOR
São teus meus versos, versos que escrevi,
À luz da Lua, em noites estivais,
A reviver as horas que vivi …
Sonhos de amor que não voltaram mais.
Rolaram meses, anos, na voragem
Do tempo que já tudo destroçou …
Somente, emoldurada, a tua imagem,
Dentro em minha alma, estática, ficou!
Por que não vens, mulher, por que não vens
Dizer-me que me queres tanto, enfim,
Como então me querias, se ainda tens
O coração a palpitar por mim?
Por que motivo tentas esconder,
No olhar furtivo, o amor que te atormenta?
Não turves a alegria de viver,
Que, assim, da própria vida se afugenta?
E dá-me as tuas mãos, as mãos que, um dia,
Afagaram meu rosto, ternamente …
Desperta, amor, que a vida é agonia
Dos céleres minutos do presente! …
José Maria Lopes de Araújo
do livro
REMOS PARTIDOS
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21 de Maio de 2009
CADA COISA ....poema de Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos.
À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.
À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
Não puxemos a voz
Acima de um segredo,
E casuais, interrompidas, sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve
A negra ida do Sol) —
Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem
Das flores que na nossa infância ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.
E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade,
Como quem compõe roupas
O outrora compúnhamos
Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos,
E há só noite lá fora.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
ÁLVARO DE CAMPOS ( Fernando Pessoa )
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19 de Maio de 2009
SINTO poema de Vitor Cintra

Sinto crescer a vontade
De perceber se o que dizes,
Entre risadas felizes,
É ou não é a verdade,
Ou só disfarça deslizes.
Sinto crescer o desejo
De te cingir nos meus braços,
P'ra te prender com abraços,
E arrancar-te num beijo
Todos os teus embraraços.
Sinto crescer a ideia
De que, bem mais do que mostras,
São bem reais as propostas
Duma visão que incendeia
Esse viver, de que gostas.
VITOR CINTRA
Do Livro " Pedaços do Meu Sentir"
Á venda nas livrarias
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CREPUSCULO de Ilda Silva Lisboa

CREPÚSCULO
Ao crepúsculo do dia que termina
Sucede, inevitavelmente, a alvorada,
Mostrando que a noite não existe.
Um clarão que surge e alucina,
Que oxalá não tenha medo de nada
E que a todos os infortúnios resiste.
Ao sol que se põe de um lado,
Outro lhe aparece oposto,
Como se dois sóis tivesse o mundo.
O que se põe está cansado,
Mas guarda para si o gosto.
O que aparece é fecundo.
O que se põe está doente,
Mergulha na noite densa,
Parte sem esperança, enfim!
O que desponta reluzente,
Cheio de vontade imensa,
Não vendo do outro o seu fim.
Ilda Silva Lisboa
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18 de Maio de 2009
AMOR QUE MORRE poema de FLORBELA ESPANCA

O nosso amor morreu... Quem o diria?
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!
Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...
Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos pra partir.
E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De que outro amor impossível que há-de vir!
FLORBELA ESPANCA
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A RUA DOS CATAVENTOS de Mário Quintana

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!
Mario Quintana
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17 de Maio de 2009
O AMOR poema de FERNANDO PESSOA

O Amor
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..
Fernando Pessoa
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15 de Maio de 2009
Mas...... de Ilda Silva Lisboa

Mas...
o pensamento sangra
lágrima escondida
e o coração sempre lembra imenso.
Assim, a beleza da história julgada perdida,
permanece na sala, com aroma intenso.
Ilda Silva Lisboa
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" PEDAÇOS DO MEU SENTIR "
lançamento do livro de
VITOR CINTRA
No próximo dia 16 de Maio, às 19,00 horas, no Auditório - Campo Grande nº 56, em Lisboa - será a apresentação deste novo livro de poemas, publicado sob a chancela da editora «Temas Originais, Lda».
O livro, em cuja capa se reproduz uma tela da pintora Alvani Borges, tem Prefácio do poeta António Paiva e será apresentado pelo poeta Xavier Zarco.
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14 de Maio de 2009
O QUE HÁ ...de Álvaro de Campos

O que há
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)
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12 de Maio de 2009
DOR DA SOLIDÃO de Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Não existe dor maior
Que a dor da solidão...
É dor cruel e perversa
Que não aceita conversa
E nem mesmo explicação!
É dor do só, do sozinho,
É carência de carinho,
Seu sintoma é a paixão.
E essa dor tão doída
Que tanto maltrata a gente
Chega assim tão de repente
Sem sequer bater na porta.
Para ela pouco importa
Se está matando o doente,
Se a "Inês é quase morta".
É uma dor que aniquila,
Que castiga, que maltrata,
É mais forte que a tequila
Mais ardente que a cachaça.
É pior que a dor que tomba,
Mais cruel que a dor que mata.
Antonio Manoel Abreu Sardenberg
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11 de Maio de 2009
SIMULTANEIDADE de Mário Quintana

- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.
Mario Quintana
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7 de Maio de 2009
Ai de Quem Ama ....poema de Vinicius de Moraes

Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida
Amar é triste
O que é que existe?
O amor
Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade
Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus
Vinícius de Moraes
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29 de Abril de 2009
O Encanto de Teus Olhos... de poema de CIRO DI VERBENA

O encanto de teus olhos verdes, claros,
Brilhantes astros sempre reluzentes,
É tudo o que há de mais valioso e caro
Que eu posso vislumbrar à minha frente!
E encanta-me esse brilho intenso e raro,
Invadindo minha alma, mansamente,
Toda vez que ao acaso me deparo,
Com esse teu olhar triste e carente!
Teu olhar tem a essência do carinho;
Convida os corações aventureiros
A sorver desse encanto o puro vinho...
E esse olhar é um abismo traiçoeiro;
Cada vez que te encontro em meu caminho
Nesse olhar eu mergulho, corpo inteiro!...
Ciro Di Verbena
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26 de Abril de 2009
ALMA PERDIDA de Florbela Espanca
Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma da gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!
Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, a alma doente
Dalguém que quis amar e nunca amou!
Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!
Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!...
Florbela Espanca
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24 de Abril de 2009
Arrependimento....poema de Josias da Silva

Se uma angústia voraz me desespera
E me perco nos caminhos onde ando,
Imploro teu carinho sempre e quando
O amor faz em meu corpo primavera!
E grito de paixão, mesmo calando,
Pois meu silêncio é a forma mais sincera
Com que posso mostrar quanto eu quisera
Viver de amor... Sem mais penar cantando!
Sinto esvair em mim a juventude;
E tudo o que eu desejo na velhice
É moldar meus defeitos na virtude,
Sem mais arrepender-me da tolice
Pelos amores todos que não pude
Viver... (Ou que, por timidez, não disse!)
JOSIAS DA SILVA
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22 de Abril de 2009
SOLITÁRIO NUM CAMINHO ESCURO de " Rui Ressurreição "

solitário num caminho escuro
perguntei ao vento
por que a minha vida era frágil e leve
e por que eu estava na corda bamba
dançando ao sabor das marés
...
avistei o mar
e gritei no firmamento
por que sofria angústias e temores
dores e remorsos de não ter feito
sabendo que tinha tudo dentro de mim
...
quem sou eu neste mundo?
neste oceano profundo que me engole
e me devora as entranhas
num festival de sensações de afogamento
em mágoas e choros
de encontro à luz duma vida sem carinho
nem esperança
nem vislumbre de dias melhores
dentro do meu ser
dentro do meu viver
...
eu bato a todas as portas
eu abro a minha mente e a minha alma
eu procuro
eu negoceio com o destino
por entre cartas jogadas por baixo da mesa
com rasteiras implacáveis
dos vendilhões dos templos modernos
desta loucura de correrias e devaneios
pelas avenidas da falsidade
mas...
mas eu quero resistir a este devorador de ideias
e acariciador de almas desoladas
em poços de amargura
que já não têm salvação
a não ser com a gratidão interior
ao criador do nosso mundo
em tudo o que há de mais profundo...
poema original de
RUI RESSURREIÇÃO
DIA 27.07.2008,ÀS 4:38.
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20 de Abril de 2009
Porque Escondes a Noite no teu Ventre? de JOAQUIM PESSOA

Porque escondes a noite no teu ventre?
Nesse país de sombra onde se calam as palavras.
Aí, no escuro lago onde estremece a flor da amendoeira
E onde vão morrer todos os cisnes.
Eu desvendo a tua dor, o teu mistério
De caminhares assim calada e triste,
Quando viajo em ti com as mãos nuas e o coração louco
No mais fundo de ti, onde só tu existes.
Oh, eu percorro as tuas coxas devagar
Dobrando-as lentamente contra o peito
E penetro em delírio a tua noite
Esporeando éguas no teu sangue.
De onde me chegam estas palavras?
Joaquim Pessoa
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17 de Abril de 2009
RAIOS DE LUZ poema de Rui Ressurreição

Rios de luz...
uma cruz que vou deixar para trás
um cabaz de soluções,
para os corações, frios e duros
que vão ficar puros e limpos de traumas
e assim caminhar pela vida de cabeça erguida,
na procura da felicidade
poema original de RUI RESSURREIÇÃO
DIA 25.09.2008,ÀS 15:21
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15 de Abril de 2009
POEMA de Rui Ressurreição

Água...
Mar...
Pôr-do-sol.
Duas almas
ao encontro
de si mesmas,
numa pureza
de embalar emoções...
rios de sensações
que correm pelos
subterrâneos da mente,
que contente,
avança sem medo,
apenas em segredo,
ondula na suavidade do
teu coração,
que com gratidão,
amanhece todos os dias,
com alegria
e energia,
para se renovar
na sua forma de amar.
POEMA ORIGINAL DE RUI RESSURREIÇÃO
7 DE FEVEREIRO 2009,1:35
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14 de Abril de 2009
DA DISCRIÇÃO de Mário Quintana

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...
Mario Quintana
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12 de Abril de 2009
Gozo IX de Maria Teresa Horta

GOZO IX
Ondula mansamente a tua lingua
de saliva tirando
toda a roupa...
já breves vêm os dias
dentro de noites já
poucas.
Que resta do nosso
gozo
se parares de me beijar?
Oh meu amor...
devagar...
até que eu fique louca!
Depois... não vejas o mar
afogado em minha
boca!
Maria Teresa Horta
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11 de Abril de 2009
A SECRETA VIAGEM de David Mourão_Ferreira

No barco sem ninguém ,anónimo e vazio,
ficámos nós os dois ,parados ,de mão dada ...
Como podem só os dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!
Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
tornamo-nos reais,e de maneira,à proa...
Que figuras de lenda!Olhos vagos,perdidos...
Por entre nossas mâos , o verde mar se escoa...
Aparentes senhores de um barco abandonado,
nós olhamos,sem ver,a longínqua miragem...
Aonde iremos ter?- Com frutos e pecado,
se justifica, enflora, a secreta viagem!
Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa ,passa...alheio aos meus sentidos.
-Desfeitos num rochedo ou salvos na ensseada,
a eternidade é nossa ,em madeira esculpidos!
David Mourão_Ferreira
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10 de Abril de 2009
EU TE AMO... NÃO DIZ TUDO!...Arnaldo Jabor

Você sabe que é amado(a) porque lhe disseram isso?
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida,
Que zela pela sua felicidade,
Que se preocupa quando as coisas não estão dando certo,
Que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas,
E que dá uma sacudida em você quando for preciso.
Ser amado é ver que ele(a) lembra de coisas que você contou dois anos atrás,
É ver como ele(a) fica triste quando você está triste,
E como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água.
Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão.
Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.
Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,
Sem inventar um personagem para a relação,
Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.
Sente-se amado quem não ofega, mas suspira;
Quem não levanta a voz, mas fala;
Quem não concorda, mas escuta.
Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!
Arnaldo Jabor
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9 de Abril de 2009
* JOELHO * de Maria Teresa Horta

Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho
Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio
Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo
Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo
Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo
E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento
Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas
Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.
Maria Teresa Horta
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7 de Abril de 2009
* ILHA * de David Mourão- Ferreira

Deitada és uma ilha E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
Deitada és uma ilha Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias
David Mourão-Ferreira
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5 de Abril de 2009
... de Bob Marley

Os ventos que as vezes tiram
algo que amamos, são os
mesmos que trazem algo que
aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar
pelo que nos foi tirado e sim,
aprender a amar o que nos foi
dado.Pois tudo aquilo que é
realmente nosso, nunca se vai
para sempre...
Bob Marley
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* Poema Sobre a Recusa * de MariaTeresa Horta

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.
Maria Teresa Horta
*******************
Love of my life, you hurt me,
You broken my heart, now you leave me.
Love of my life cant you see,
Bring it back bring it back,
Dont take it away from me,
Because you dont know what it means to me.
Love of my life dont leave me,
Youve stolen my love now desert me,
Love of my life cant you see,
Bring it back bring it back,
Dont take it away from me,
Because you dont know what it means to me.
You will remember when this is blown over,
And everythings all by the way,
When I grow older,
I will be there by your side,
To remind how I still love you
I still love you.
Hurry back hurry back,
Dont take it away from me,
Because you dont know what it means to me.
Love of my life,
Love of my life.
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2 de Abril de 2009
OS DEGRAUS .....de Mário Quintana

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...
*****************
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
Mário Quintana
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31 de Março de 2009
Nem Tudo é Fácil...CECICILA MEIRELES

Nem tudo é fácil
É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!
Cecília Meireles
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Você Não Me Ensinou a te Esquecer de Bruno Mattoa/Odair José

VOZ DE " CAETANO VELOSO "
Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto
E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando me encontrar
E nesse desepero em que me vejo
já cheguei a tal ponto
de me trocar diversas vezes por você
só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar
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30 de Março de 2009
SONETO DO CATIVO de David Mourão-Ferreira

Se é sem dúvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias,
tão longe da verdade e da invenção;
o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que os outros dirão ou não dirão;
se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;
não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamnete preso!
David Mourão-Ferreira
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29 de Março de 2009
* Retrato em Branco e Preto * de CHICO BUARQUE

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho,
E sei também que ali sozinho,
Eu vou ficar tanto pior
E o que é que eu posso contra o encanto,
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto e que, no entanto,
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes, velhos fatos,
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo,
Procurar o desconsolo,
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras,
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado,
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado e você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto,
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração
Chico Buarque
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28 de Março de 2009
" Como Roubar Um Coração " de Luis Fernando Verissimo
Para se roubar um coração é preciso que seja
com muita habilidade,
tem que ser vagarosamente, disfarçadamente,
não se chega com ímpeto,
não se alcança o coração de alguém com pressa.
Tem que se aproximar com meias palavras,
suavemente, apoderar-se dele
aos poucos, com cuidado.
Não se pode deixar que
percebam que ele será
roubado, na verdade, teremos que
furtá-lo, docemente.
Conquistar um coração de verdade dá
trabalho, requer paciência, é
como se fosse tecer uma colcha de retalhos,
aplicar uma renda em um
vestido, tratar de um jardim,
cuidar de uma criança.
É necessário que seja com destreza,
com vontade, com encanto,
carinho e sinceridade.
Para se conquistar um coração definitivamente
tem que ter garra e
esperteza, mas não falo dessa esperteza que
todos conhecem, falo da
esperteza de sentimentos, daquela que existe
guardada na alma em
todos os momentos.
Quando se deseja realmente conquistar um
coração, é preciso que antes
já tenhamos conseguido conquistar o nosso,
é preciso que ele já tenha
sido explorado nos mínimos detalhes, que
já se tenha conseguido
conhecer cada cantinho, entender cada espaço
preenchido e aceitar
cada espaço vago.
...e então, quando finalmente esse coração
for conquistado, quando
tivermos nos apoderado dele, vai existir
uma parte de alguém que
seguirá connosco.
Uma metade de alguém que
será guiada por nós e o
nosso coração passará a bater por
conta desse outro coração.
Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com
certeza haverá instantes,
milhares de instantes de alegria.
Baterá descompassado muitas vezes e
sabe por quê?
Faltará a metade dele que
ainda não está junto de nós.
Até que um dia, cansado de estar dividido
ao meio, esse coração
chamará a sua outra parte e alguém por
vontade própria sem que
precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará
a metade que faltava.
... e é assim que se rouba um coração,
fácil não? Pois é, nós só
precisaremos roubar uma metade, a outra virá
na nossa mão e ficará
detectado um roubo então!
E é só por isso que encontramos tantas pessoas
pela vida a fora que
dizem que nunca mais conseguiram amar
alguém......é simples.......é
porque elas não possuem mais coração,
eles foram roubados, arrancados
do seu peito, e somente com um grande amor
ela terá um novo coração,
afinal de contas, corações são para
serem divididos, e com certeza
esse grande amor repartirá o dele com você!!!!
(Luís Fernando Veríssimo)
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25 de Março de 2009
Soneto da Separação de VINICIUS DE MORAES

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
VINICIUS DE MORAES
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23 de Março de 2009
Ah! .....poema de Cacaso

Ah se pelo menos o pensamento
não sangrasse!
Ah se pelo menos o coração
não tivesse memória!
Como seria menos linda
e mais suave minha história!
(Cacaso)
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20 de Março de 2009
BOB Marley

As Vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas... O tempo passa... e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!
Bob Marley
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16 de Março de 2009
EU poema de FLORBELA ESPANCA

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
*
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
*
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...
*
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
FLORBELA ESPANCA
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13 de Março de 2009
CANÇÃO de Cecília Meireles

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Cecília Meireles
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7 de Março de 2009
CONTO DE FADAS de Florbela Espanca

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o ungüento
Com que sarei a minha própria dor.
Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras duma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...
Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é de oiro, a onda que palpita.
Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa de conto: "Era uma vez..."
Florbela Espanca
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1 de Março de 2009
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA poema " Um Silêncio Absoluto "

Escuto
Escuto o silêncio
um silêncio absoluto
Sinto
sinto o pendular
da inteligência do meu génio louco
Escuto
escuto o eclodir
da potência no meu primeiro géne
Sinto
sinto rasgar-se em cizão
o espasmo do meu pai primitivo
Sinto
Sinto a dinâmica primária
do alvorecer do dia-calor
FERNANDO MONTEIRO
do livro " Mar Branco "
Poeta da minha Ilha . S.Maria-Açores
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28 de Fevereiro de 2009
TIMIDEZ de Cecilia Meireles

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
e um dia me acabarei.
Cecília Meireles
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27 de Fevereiro de 2009
" E POR VEZES " poema de David Mourão-Ferreira

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
David Mourão - Ferreira
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NÃO POSSO ADIAR O AMOR de António Ramos Rosa

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufocante na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora imprecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
ANTÓNIO RAMOS ROSA
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25 de Fevereiro de 2009
ESPELHO LOUCO
poema de Szabó Lfirinc ( Hungria )

Sucedem coisas novas sem cessar,
e já estas fora delas. Faço a barba,
e lembro-me de ti: lágrima larga,
e paro: dos meus fins metade, par
foste dos actos livres; oxalá
tivesses sido mais! Vivo, prossigo
dia de trabalho, e vão comigo,
plo caminho, lembrança doce, ávida
falta... Mas que valem lágrimas e
caminho, querida, na solidão?
Realidade, presente, estão aí!
Só teu espelho te guarda, eu, a alma,
espelho que solta as imagens, um tão
louco espelho, que crê bater-te palmas !
Tradução de : Ernesto Rodrigues
do Livro ROSA DO MUNDO
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21 de Fevereiro de 2009
CERTEZAS de Mário Quintana

Certezas
Não quero alguém que morra de amor por mim...
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim...
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível...
E que esse momento será inesquecível...
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento...e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas...
Que a esperança nunca me pareça um NÃO que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como SIM.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão...
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.
Mario Quintana
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13 de Fevereiro de 2009
* MUDE * de Edson Marques

Mas comece devagar, porque a direção
é mais importante que a velocidade.
Mude de caminho, ande por outras ruas,
observando os lugares por onde você passa.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Descubra novos horizontes.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
Busque novos amigos, tente novos amores.
Faça novas relações.
Experimente a gostosura da surpresa.
Troque esse monte de medo por um pouco de vida.
Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude.
Mude.
Dê uma chance ao inesperado.
Abrace a gostosura da Surpresa.
Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia.
Lembre-se de que a Vida é uma só,
e decida-se por arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Abra seu coração de dentro para fora.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Exagere na criatividade.
E aproveite para fazer uma viagem longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas diferentes, troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você conhecerá coisas melhores e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, a energia, o entusiasmo.
Só o que está morto não muda !
EDSON MARQUES
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12 de Fevereiro de 2009
Opinião de um homem sobre o corpo feminino! .....PAULO COELHO

Opinião de um homem sobre o corpo feminino!
Não importa o quanto pesa.
É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher.
Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.
Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim.
Nossa avaliação é visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra... está bem.
Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas.
As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas....
Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo.
As magrinhas que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem.
Suas modas são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.
Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura.
A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras.
A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem.
Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa.
Os cabelos, quanto mais tratados, melhor.
As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas.. Porque razão as cobrem com calças longas?
Para que as confundam conosco?
Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras e pronto.
Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão e eu reitero: nós gostamos assim.
Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão.
É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranqüila e cheia de saúde.
Entendam de uma vez!
Tratem de agradar a nós e não a vocês.
Porque, nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher.
Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com
sinceridade, que outra mulher é linda.
As jovens são lindas... mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes.
Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado.
O corpo muda... cresce.
Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18.
Entretanto uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.
Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas.
Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (não se saboteia e não sofre); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.
Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza.
São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol' nem em spa... viveram!
O corpo da mulher é a prova de que Deus existe.
É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.
Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se!
A beleza é tudo isto.
( Paulo Coelho)
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9 de Fevereiro de 2009
poema de Velimir Khlébnikov

Tempos-juncos
Na margem do lago,
Onde as pedras são tempo,
Onde o tempo é de pedra.
No lago da margem,
Tempos, juncos,
Na margem do lago,
Santos, juntos.
Tradução de: Augusto de Campos
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8 de Fevereiro de 2009
SONETO DA SEPARAÇÃO de Vinicius de Moraes

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinícius de Moraes
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QUADRILHA de Carlos Drummond de Andrade
João amava Teresa que amava Raimundo,
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
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7 de Fevereiro de 2009
CURA DO CANCRO
Recebido por e-mail, achei importante divulgar
Um médico italiano descobriu algo simples que considera a causa do Cancro.
Inicialmente banido da comunidade médica italiana, foi aplaudido de pé na Associação Americana contra o Cancro quando apresentou a sua terapia.
O médico observou que todos os doentes com Cancro têm aftas. Isso já era do conhecimento da comunidade médica, mas sempre foi tratada como uma infecção oportunista por fungos - Candida albicans.
Esse médico achou muito estranho que todos os tipo de Cancro tivessem essa característica, ou seja, vários são os tipos de tumores mas todos têm em comum o aparecimento das famosas aftas no doente.
Então, pode estar ocorrendo o contrário - pensou ele.
A causa do Cancro pode ser o fungo.
E, para tratar esse fungo, usa-se o medicamento mais simples que a humanidade conhece: bicarbonato de sódio.
Assim ele começou a tratar os seus pacientes com bicarbonado de sódio, não apenas ingerível, mas metódicamente controlado sobre os tumores.
Resultados surpreendentes começaram a acontecer.
Tumores de pulmão, próstata e intestinos desapareciam como num passe de mágica, junto com as Aftas!
Desta forma, muitos pacientes de Cancro foram curados e hoje comprovam com os seus exames os resultados altamente positivos do tratamento.
Para quem se interessar mais pelo assunto, siga o link (em inglês): não deixem de ver o video, no link abaixo.
O médico fala em italiano, mas tem legendas em português.----->
http://www.curenaturalicancro.com>
Lá estão os métodos utilizados para aplicação do bicarbonado de sódio sobre os tumores.
Quaisquer tumores podem ser curados com este tratamento simples e barato.
Parece brincadeira, não é?
Mas foi notícia nos EUA e nunca chegou cá (para variar).
Bem que o livro de Homeopatia recomenda tratar tumores com Borax, que é o remédio Homeopático para as aftas.
Afinal, uma boa notícia no meio de tantas más.
De novo, a pergunta que não quer calar: por que é que a grande imprensa não dá a menor cobertura a isto?
Nem na TV, nem nas rádios, nem nos jornais de grande tiragem... Absolutamente nada. Quem os proíbe de noticiar?
O médico teve que construir o seu próprio site para poder divulgar o seu trabalho de curar o Cancro (ou, pelo menos, várias das suas formas), usando apenas uma solução de bicarbonato de sódio a 20%.
Imaginem! Bicarbonato de sódio, uma coisa que nós encontramos em qualquer farmácia ou drogaria de esquina.
Neste link está o vídeo, aonde o médico italiano mostra a evolução do tratamento de 4 casos até á sua completa cura:
http://www.cancer-fungus.com/sub-v1pt/sub-pt.html
Se quiser ver em português, vá a este site e basta clicar nas bandeirinhas no alto da página e muda para o idioma pretendido:
http://www.cancerfungus.com/simoncini-cancro-fungo.php#
Certamente que os Laboratórios não estão interessados em que esta noticia se espalhe, afinal de contas lá se vão os grandes lucros nos medicamentos que eles fabricam para uma doença tão grave que pode ser curada simplesmente com bicarbonato de sódio a 20% que custa uns simples cêntimos.
DIVULGA NO TEU BLOG
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6 de Fevereiro de 2009
* Perguntei a um Sábio * de William Shakespeare
Dedicado ao meu marido, hoje no nosso 33º. Aniversário de casamento.
Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.
William Shakespeare
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2 de Fevereiro de 2009
AS CEM REZÕES DO AMOR
de Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
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21 de Janeiro de 2009
SONETO CV de ......William Shakespeare

Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.
William Shakespeare
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* CHAMADA * poema de Vitor Cintra
CHAMADA
Sinto minha alma afobada
Por trilhas, cheias de nós,
Sem perceber a chamada
Feita, por almas tão sós
Como a minha alma isolada.
Solto as amarras do tempo
E o pensamento, veloz,
Corre ao sabor do momento,
Quando o momento dá voz
Ao meu veloz pensamento.
VITOR CINTRA
Do livro " Murmúrios "
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20 de Janeiro de 2009
E DE REPENTE É NOITE poema de Salvatore Quasimodo ( Itália )

E DE REPENTE É NOITE
Cada um está só sobre o coração da terra
Trespassado por um raio de sol:
E de repente é noite.
SALVATORE QUASIMODO
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18 de Janeiro de 2009
Silêncios poema de ÂNGELO GOMES
Os meus silêncios são cruéis e duros,
Nas trevas dos dias que me ensombram,
Nas noites em branco que me tombam,
Nas lágrimas, nos vales e nos muros
Será que sabes ler-me sem me ler?
Será que no teu peito ainda existo?
Ou fui sublinhado em mero risco
Daqueles sem expressão e sem se ver?
Que raros são os momentos de paixão...
Que emergem de caudais de solidão
E se fecham em silêncios de ternura...
Segue os trilhos dos minutos que viveste
Pergunta a ti própria se cresceste...
Abre as portas aos riachos da censura
Ângelo Gomes
Publicado no Recanto das Letras em 03/09/2006
Código do texto: T232092
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15 de Janeiro de 2009
" FUMO " poema de Florbela Espanca

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!
Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...
Florbela Espanca
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13 de Janeiro de 2009
TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDICULAS de Álvaro de Campos

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos
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11 de Janeiro de 2009
* AMIGOS * de Paulo Sant'Ana
Neste dia de Aniversário do meu amigo e POETA " VITOR CINTRA ", dos Blogs Um Poema de Vez em Quando e A poesia de VITOR CINTRA, dedico-lhe este texto, com votos de um feliz aniversário.
*****************************************
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
Paulo Sant'Ana
PAULO SANT'ANA
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9 de Janeiro de 2009
HÁ CERTAS HORAS de William Shakespeare

Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...
Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...
Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade
inquestionável...
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado...
Ou alguém que apenas diga:
Sou seu amor! E estou Aqui!
William shakespeare
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7 de Janeiro de 2009
" ESTE PERFUME"de Salvador Novo (México)
não é nada mais do que o mundo que deslocam e movem os globos azuis dos teus olhos.
sacrificado à beira de um horto em que a vida se suspendeu por todos os séculos da minha.
e bebi-te todo, oh fruto perfeito e delicioso!
sentirei o rude contacto da tua
nascida na frescura de uma alva inesperada,
nutrida na carícia de teus rios claros e puros como o teu abraço,
volta doce no vento que nas tardes
vem das montanhas para o teu hálito,
madura no sol dos teus dezoito anos,
cálida para mim que a esperava.
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6 de Janeiro de 2009
* ROMÂNTICOS * de Vander Lee

Românticos são poucos,
Românticos são loucos, desvairados
Que querem ser o outro,
Que pensam que o outro,
É o paraíso.
Românticos são lindos,
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas,
Que amam sem vergonha e sem juízo
São tipos populares, que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
E passam a noite em claro
conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão
Romântico é uma espécie em extinção.
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31 de Dezembro de 2008
O QUE NÃO SE RECORDA poema de Luis Rosales ( Espanha)

O QUE NÃO SE RECORDA
Para voltar a ser feliz era
somente preciso ser hábil
ao recordar.
Buscávamos
dentro do coração nossas lembranças.
A alegria talvez não tenha história.
Ao olhar para dentro de nós dois
ficávamos calados.
Teus olhos eram
como um rebanho quieto
que seu tremor reúne sob a sombra
do álamo.
O silêncio
pôde mais que o esforço.
Anoitecia
para sempre no céu.
Não pudemos voltar a recordá-lo.
No mar a brisa era um menino cego.
LUIS ROSALES
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28 de Dezembro de 2008
* TUDO É FOI * poema de António Gedeão

Fecho os olhos por instantes.
Abro os olhos novamente.
Neste abrir e fechar de olhos
já todo o mundo é diferente.
Já outro ar me rodeia;
outros lábios o respiram;
outros aléns se tingiram
de outro Sol que os incendeia.
Outras árvores se floriram;
outro vento as despenteia;
outras ondas invadiram
outros recantos de areia.
Momento, tempo esgotado,
fluidez sem transparência.
Presença, espectro da ausência,
cadáver desenterrado.
Combustão perene e fria.
Corpo que a arder arrefece.
Incandescência sombria.
Tudo é foi. Nada acontece.
ANTÓNIO GEDEÃO
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22 de Dezembro de 2008
Alma Minha Gentil Que Partiste " LUIS DE CAMÕES "

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Luís de Camões
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18 de Dezembro de 2008
" DESPERTAR " poema de Vitor Cintra

Ânsia de amor, quando assalta,
Faz com que o sonho esquecido
Ganhe, de novo, sentido,
Como a essência, que exalta.
Ímpeto, de maré alta,
Arte, de leito escondido,
Dom, de sabor proibido,
Fogo, paixão, que ressalta.
Perda, carência, dor, falta,
Sombra, dum tempo perdido,
Chama, prazer reprimido;
Onda de choque, ribalta,
Corpos, vertigem, gemido,
Frémito desinibido.
VITOR CINTRA
do livro " MURMÚRIOS "
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16 de Dezembro de 2008
Quando se Gosta de Alguém de
* AMÁLIA RODRIGUES *
Quando se gosta d'alguém
Sente-se dentro da gente
Ainda não percebi bem
Ao certo que é que se sente
Quando se gosta d'alguém
É de nós que não gostamos
Perde-se o sono por quem
Perdidos de amor andamos
Quando alguém gosta d'alguém
Anda assim como ando eu
Que não ando nada bem
Com este mal que me deu
Quando se gosta d'alguém
É como estar-se doente
Quanto mais amor se tem
Pior agente se sente
Quando se gosta d'alguém
Como eu gosto de quem gosto
O desgosto que se tem
É desgosto que dá gosto.
AMÁLIA RODRIGUES
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5 de Dezembro de 2008
ÚLTIMO SONETO poema de Mário de Sá-Carneiro

ÚLTIMO SONETO
Que rosas fugitivas foste ali!
Requeriam-te os tapetes - e vieste ...
- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste!
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que mordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço -
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste...Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava? ...
MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
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30 de Novembro de 2008
" UMA CHAMA NÃO CHAMA A MESMA CHAMA " poema de E.M.de Melo e Castro

Uma chama não chama a mesma chama
há uma outra chama que se chama
em cada chama que chama pela chama
que a chama no chamar se incendeia.
Um nome não nome o mesmo nome
Um outro nome nome que nomeia
em cada nome o meio pelo nome
que o nome no nome se incendeia.
Uma chama um nome a mesma chama
há um outro nome que se chama
em cada nome o chama pelo nome
que a chama no nome se incendeia
Um nome uma chama o mesmo nome
há uma outra chama que nomeia
em caa chama o nome que se chama
o nome que se chama se incendeia.
E.M de Melo e Castro
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26 de Novembro de 2008
* OLHOS TRISTES *poema de Vitor Cintra

Olhos tristes, senhora,
Os vossos. Tristes de mais,
Olhos de dor, de quem chora.
Senhora, porque chorais?
Se essa tristeza, que mora
Nos olhos, nos dá sinais
Da mágoa, que vos devora
E, a medo, mal disfarçais,
Mostrai-nos então, se agora,
Dos olhos, porque me olhais,
Se vai a tristeza embora,
Ou quedam tristes, iguais.
VITOR CINTRA
do livro " MURMÚRIOS "
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19 de Novembro de 2008
"Quando me Amei de Verdade " de Kim McMillen & Alison McMillen

Quando me amei de verdade,
pude compreender
que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo,
na hora certa.
Então pude relaxar.
Quando me amei de verdade,
pude perceber que o
sofrimento emocional é um sinal
de que estou indo contra a minha verdade.
Quando me amei de verdade,
parei de desejar que a minha vida
fosse diferente e comecei a ver
que tudo o que acontece contribui
para o meu crescimento.
Quando me amei de verdade,
comecei a perceber como
é ofensivo tentar forçar alguma coisa
ou alguém que ainda não está preparado
- inclusive eu mesma.
Quando me amei de verdade,
comecei a me livrar de tudo
que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas,
crenças e - qualquer coisa que
me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoismo.
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.
Quando me amei de verdade,
deixei de temer meu tempo livre
e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!
Quando me amei de verdade,
desisti de querer ter sempre razão,
e com isso errei muito menos vezes.
Quando me amei de verdade,
desisti de ficar revivendo o passado
e de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
que é onde a vida acontece.
Quando me amei de verdade,
percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco
a serviço do meu coração,
ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Trechos do livro "Quando me Amei de Verdade " de Kim McMillen & Alison McMillen
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16 de Novembro de 2008
MÃE de Almada Negreiros

Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! verdadeiro,encarnado!
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.
Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa.
Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
ALMADA NEGREIROS
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12 de Novembro de 2008
Espero-te Sem Te Esperar de MARIA JOÃO L.

Onde reinam tuas imensas razões,
E onde habitam as minhas profundas emoções.
Percorremos a Terra, caminhando em labirintos de cores e cheiros diferentes.
Será que a melodia que nos uniu, pode ser poderosa e vencer a tua multidão ?
Mas eu não quero conquistar ninguém...
Mas, também não quero nada que te possa magoar,
Se os ANJOS me revelassem, que nosso abraço nasceu para ser apenas sonhado,
Eu guardava-te para sempre escondido no meu coração.
Sempre deixei que fosses tu a comandar este amor...
Tens uma vida lindamente merecida e esculpida de razões...
Sei compreender
Aprendi tanto de amor a doer
Sei continuar a sonhar...
E neste sentir maior assim espero-te sempre sem te esperar ...
Maria João L.
(Texto que me foi enviado e que achei muito bonito, partilho-o aqui)
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10 de Novembro de 2008
ÁRVORE poema de Kóstas Karyotákis ( Grécia)
ÁRVORE
Com rosto indiferente e ar de pouco caso,
saúdo as madrugas, os ocasos.
Árvore, hei-de olhar, com mirada isenta,
o céu azul ou a fúria da tormenta.
A vida, digo, é féretro no qual
dor,
alegria do homem têm o seu final
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5 de Novembro de 2008
SOLIDÃO de Afonso Henriques

Saudade é solidão acompanhada,
É quando o amor ainda não foi embora,
Mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
É a dor dos que ficaram para trás,
É o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
Aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
Não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
AFONSO HENRIQUES
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31 de Outubro de 2008
" A Dor Que Dói Mais " de MARTHA MEDEIROS
Em alguma outra vida,
devemos ter feito algo de muito grave,
Para sentirmos tanta saudade...
Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé , doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa,
Dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe,
Saudade de uma cachoeira da infância,
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais,
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu,
Saudade de uma cidade,
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem estas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar no quarto e ela na sala, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela pra faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor,
Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi à consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre culpada,
Se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na internet,
A encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros,
Se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua detestando McDonalds,
Se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos,
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento,
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música,
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
É não saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que eu estive sentido enquanto escrevia
E o que você provavelmente estará sentindo depois que acabar de ler.
MARTHA MEDEIROS
MARTHA MEDEIROS
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21 de Outubro de 2008
OCIDENTE-ORIENTE poema de Adonis ( 'Ali Ahmad Sa'Id)
Era algo que se estendia no túnel da História,
Algo enfeitado e minado
Levando seu menino de nafta envenenado,
Por venenoso mercador cantado;
Era um Oriente - criança que pede,
Grita " Socorro !"
E o Ocidente, seu senhor nunca errado -
Mudado está agora este mapa;
O Universo em chamas,
Oriente - Ocidente : um só
Túmulo
Em cinza os tem juntado ...
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15 de Outubro de 2008
" Já um Pouco de Vento se Demorara " poema de VITORINO NEMÉSIO

Já um pouco de vento se demora;
Já sua força vale a de uma mão
Nestes papéis que trago para fora,
Que o campo dá certeza e solidão.
O calor fez a casa mais delgada,
Agora colho a tarde: a vida não.
Sou a macieira carregada:
De palavras a mais cobri o chão.
Árvores há no outono que conhecem
O toque e ardor das folhas de amanhã
E esperando-as, altas, adormecem.
Com espaço e vento nunca a vida é vã.
Eu volto à mão do outono em meus papéis.
Penso e, indiscreto, o ar remove
Estas imagens cruéis
Que a minha vida comove
VITORINO NEMÉSIO
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10 de Outubro de 2008
AMIÚDE poema de Raul de Carvalho

AMIÚDE
No vale dos afectos
ninguém está seguro:
Mingua a lembrança,
Esquece-se o rosto,
Retorna-se ao eu,
Os lábios secam, as palavras dormem, os sonhos dispersam-se, a
presença ausenta-se, há o lago de que não se vê o fundo -
E apenas as pequenas ilusões
- um café, o cigarro, a limonada -
imitam dois corações unidos ...
Raul de Carvalho
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5 de Outubro de 2008
O BANHO DOS POBRES poema de Tonino Guerra ( Itália )

O BANHO DOS POBRES
Os pobres da minha terra
tomam banho no rio
e estão de molho na água
um dia inteiro.
Ali há muito ar muito sol muitos borrifos.
Voltam quando é noite
Encontram outra vez as velhas casas
com as cabeças dos gatos aos janelos
e toda a água nos cântaros represa.
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30 de Setembro de 2008
EU NÃO SEI AO CERTO ... poema de Jaime Sabines ( México )

EU NÃO SEI AO CERTO...
Eu não sei ao certo, mas suponho
que uma mulher e um homem
um dia se amam,
vão ficar sozinhos pouco a pouco,
algo em seu coração lhes diz que estão sós,
sós sob a terra se penetram,
vão-se matando um ao outro.
Tudo se faz em silêncio.
Como a luz se faz dentro dos olhos.
O amor une corpos.
Em silêncio vão-se enchendo um ao outro.
Qualquer dia acordam sobre braços;
pensam então que sabem tudo.
Vêem-se nus e sabe, tudo.
( Eu não sei ao certo. Suponho-o )
JAIME SABINES
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25 de Setembro de 2008
CANÇÃO poema de ANTÓNIO BOTTO

CANÇÃO
Se fosses luz serias a mais bela
De quantas há no mundo : - a luz do dia!
-Bendito seja o teu sorriso
Que desata a inspiração
Da minha fantasia!
Se fosses flor serias o perfume
Concentrado e divino que perturba
O sentir de quem nasce para amar!
- Se desejo o teu corpo é porque tenho
Dentro de mim
A sede a e vibração de te beijar!
Se fosses água - música da terra,
Serias água pura e sempre calma!
- Mas de tudo o que possa ser na vida,
Só quero, meu amor, que sejas alma!
ANTÓNIO BOTTO
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19 de Setembro de 2008
NÃO GOSTO
Não gosto de meias palavras.
Prefiro o silêncio aos gritos ensurdecedores das pessoas com quem tenho de falar e que não me dizem nada.
Não gosto de engolir palavras que não mereço, nem de desculpas esfarrapadas.
Não gosto de pessoas que só querem o que não têm e quando têm o que querem, não sabem do que gostam.
Não gosto de ouvir, talvez, não sei, sei lá, depois vê-se, tem paciência.
Não gosto que me peçam desculpa.
Não gosto que me prometam e não cumpram, de encontros desmarcados e de esperas infinitas.
Não gosto de gritos, de confusões, de gestos teatrais e dramatismos.
Não gosto de intrigas e de histórias mal contadas, não gosto de meias verdades.
Não gosto de palavras sem sentido e de falar por falar.
Não gosto que falem comigo e não me olhem nos olhos.
Não gosto de palavras arrastadas e de segredos mal guardados.
Não gosto de pessoas que andam de nariz empinado e se acham melhores que os outros.
Que pensam que sabem tudo e que falam com arrogância, que têm um ar de gozo, mas que choram por dentro.
Não gosto de perder tempo, prefiro gastá-lo com o que mais gosto.
Não gosto de lágrimas de crocodilo nem de sorrisos amarelos.
Não gosto de pessoas que falam mansinho ao chefe e levantam a voz à mulher da limpeza.
Não gosto de pessoas que sabem que não têm razão e ainda assim não o admitem.
Não gosto de não poder acreditar nas outras pessoas nem de voltar atrás na palavra e ainda menos que voltem atrás comigo.
Não gosto de pessoas que não olham a meios para atingir os seus fins.
Não gosto de quem não gosta de um animal.
Não gosto de pessoas que só vêm o seu lado e que esquecem todos os outros.
Não gosto quando não dizem que gostam de mim, quando o sentem na realidade.
Não gosto de ter saudades daquilo que gosto.
Não gosto que se esqueçam dos meus anos, nem de mim, mas principalmente não gosto que quando esquecida, não me guardem num lugar do coração.
( Desconheço o Autor
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13 de Setembro de 2008
Filha de Um Amor Proibido - Isabel Valente

Abaixo deixo um texto que escrevi e publiquei em 2004 no meu blog
ALMA DE POETA
Para além do texto, os testmunhos deixados por várias pessoas merecem ser lidos;
http://almadepoeta.blogspot.com/2004/09/filha-de-um-amor-proibido_28.html
Baseou-se num relato da minha própria experiência.
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Terça-feira, Setembro 28, 2004
Filha de Um Amor Proibido
Os jovens de hoje não sabem que, na minha geração, haviam
crianças nascidas fora do casamento, e em cujo registo pessoal
constava o nome da Mãe, tendo por pai, um “ Pai Incógnito”.
Estas crianças, eram estigmatizados como, os filhos do pecado,
da vergonha, os filhos da outra.
Eram os filhos fora do casamento, os bastardos.
É que o registo obrigatório com nome de pai é recente, e eu já
sou "Cota".
Para a nova geração onde todos à nascença são registados com o
nome de mãe e de um pai, verdadeiro ou não, não lhes é fácil
explicar o que é viver com o facto diário de ser filha de” pai
incógnito”.
Tendo eu passado por essa experiência, não me é difícil
explicar o que é ser filha de Pai Incógnito.
Hoje na maioria das Repartições Públicas todas achamos uma
grande maçada, ter de preencher formulários, para mim, passou
a ser, uma bênção.
Em alguns desses formulários tinha de mencionar o nome de Mãe
e de Pai, então lá vinha o tormento ---Pai Incógnito --- .Isto
era dito em voz baixa, tentando que ninguém ouvisse, na
maioria dos casos não resultava, por esse mesmo motivo, era
obrigada a repetir mais alto, sendo motivo para que toda a
plateia se virasse para ver quem era a santa alminha que era
fruto de tamanho pecado, e mais, ser confrontada com olhares
de censura indirecta, em alguns casos estampado um leve
sorriso de superioridade, e talvez que, se eu lhes lesse o
pensamento…estaria lá bem patente “ aquela é filha da mãe”.
O mesmo acontecia na escola, sempre que a professora me
perguntava o nome dos meus pais, eu respondia o nome da minha
mãe, ela, pensando que eu não tinha entendido que o pretendido
era nome dos PAIS, lá eu era obrigada, envergonhadamente a
dizer “Pai Incógnito “
Ser filha de Pai Incógnito no meu caso, era doloroso,
porquanto não me conformava em conhecer o meu PAI e ser
reconhecida por ele, e esse facto não ser aceite pela própria
sociedade .
A censura ao mesmo tempo recai , naquele homem que traiu a
esposa, e que nem se envergonha do seu próprio pecado, quando
se proclama pai .
A filha de Pai Incógnito, cuja responsabilidade de estar
vivendo esse “ horror “ era o pecado dos progenitores , O
Pecado de um Amor Proibido……sendo eu portanto a filha de um
amor proibido.
Ser filha de Pai Incógnito, é também sentir nos nossos meios
irmãos esse rancor, porque somos a vergonha que manchou o seio
da sua família, a mágoa com que a mãe deles acorda e adormece.
Outra mesma frente de retracção, se verifica nos outros meios
irmãos, os filhos do novo casamento da mãe, esses sim, filhos
de um pai e de uma mãe, que têm na família um patinho feio,
que lhes lembra não a traição da mãe, mas o pecado dela.
Isso que atrás descrevi é a minha experiência, sentida na pele
de criança.
Hoje a sociedade mudou, existem filhos de pais assumidos que
nunca viram a cara dos seus filhos, nunca pegaram neles ao
colo, nunca lhes deram tão pouco um pouco de carinho…..ou
mesmo, um pedaço de pão.
Meu Pai Homem de bem, homem culto e com uma visão fora da sua
época, nunca precisou de Instituições que o obrigassem a
reconhecer as suas obrigações de Pai , no sentido amplo da
palavra, soube ultrapassar todos os obstáculos, próprios da
época afirmando aos amigos e família sem nenhum tipo de
preconceito ” Esta é a minha filha”.
Felizmente foram ultrapassadas essas Imposições de uma
sociedade fascista, falsa e preconceituosa.
Hoje só quero mesmo é relembrar o homem que adorei, que adoro
e a quem chamei Pai sem que por isso tenha de exibir o BI….a
minha homenagem a ele , meu PAI, .....
A minha homenagem a minha MÂE, que foi marginalizada, apontada
pela sociedade, que viveu esse amor, pagando caro o seu
“pecado” .
Benditos sejam vocês os dois que pecaram, para que eu
existisse e, hoje esteja aqui falando para a nova geração
sobre a minha experiência de ser filha de Pai Incógnito.
O nome dessa grande Mulher, minha MÃE é ELVIRA, nome dado também á minha neta.
O nome do HOMEM, mais PAI e corajoso que alguma vez conheci e do qual me orgulho, é JOÂO.
http://almadepoeta.blogspot.com/2004/09/filha-de-um-amor-proibido_28.html
POSTADO POR : Alma de Poeta ÁS: 02:10
***********************************************
Um dia possívelmente lerei uma outra história.
" ORFÃ DE PAI VIVO "
Pode-se num dia amar um homem ou uma mulher e deixar de se amar, faz parte do ciclo do amor e da vida.
Amar um filho/a não é só pegar no colo, mostra-la socialmente dizendo que é filha.
Amar um filho/a é viver o momento, o crescimento. Partilhar as dores as alegrias, as febres, o nascer dos dentes, a primeira palavra, o prmeiro sorriso.
É também, perder as noites na doença, nas insónias do filhos, faz parte da nossa etapa de pais, assim tal como os nossos pais, já passaram pelo mesmo.
Faz parte também, trabalhar para além das horas, quando o ordenado é pouco, para que nada falta a um filho, é isso, amor.
Trabalhar para além das horas normais, para viver momentos egoistas de prazer próprio, dar o nome a um filho numa certidão de nascimento e acreditar que essa criança vai viver do ar e de água e que não necessita de amor e carinho, e colo e brincar, Isso é infantilidade, é ser pai quando ainda não se cresceu em mentalidade.
É irresponsabilidade!
Há homens que o serão para todo o sempre, HOMENS até depois da morte.
Há homens que serão apenas, homenzinhos.
Quem não se ama, não pode amar os outros,menos ainda quando o egoismo prevalece acima de todos os outros valores.
Não há seres perfeitos, mas há gente muito mal acabada.
*******************************************
Isabel Valente
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10 de Setembro de 2008
SAUDADE DA PROSA poema de Manuel António Pina

Poesia, saudade da prosa;
escrevia "tu", escrevia "rosa";
mas nada me pertencia,
nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava o que sabia.
E se regressava
oelo mesmo caminho
não encontrava
senão palavras
e lugares vazios:
símbolos, metáforas,
o rio não era rio
nem corria e a própria morte
era um problema de estilo.
Onde é que eu já lera
o que sentia, até a
minha alheia melancolia?
MANUEL ANTÓNIO PINA
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29 de Julho de 2008
SÓ poema de José Maria Lopes de Araújo

SÓ
Ai, se eu pudesse evadir-me
De mim mesmo,
Desta prisão
Que me põe grades, no coração ...
Se eu pudesse partir, correr,
Caminhar sem norte,
Correr , a esmo ,
Na floresta dos meus sonhos ,
E colher rosas orvalhadas
E alvas hortênsias
Nas bermas das estradas ...
Mas correr, cantando
Hinos de louvor à vida ,
Pelo odor
Que se emana da natureza
Pelo bem da Humanidade,
Pela pétala caída ...
Pela beleza
Da flor
Que nos enche a alma e o olhar
De alacridade
E cor ! ...
E continuo a viver ,
Encarcerado ,
Mesmo dentro de mim ...
Esmaga-me o silêncio
Das coisas, das pessoas ...
E a labareda da loucura
Continua crescendo, no incêndio
Da floresta dos meus sonhos !
Ai, se eu pudesse evadir-me
Das grades do meu coração ...
Não mais sofreria,
Como sofro ... Não ! Não !
Agora, já tudo é cinza ...
Já tudo é pó ..
E recomeço a sentir-me, no mundo,
Isolado...Só...Muito só...
Cada vez mais só ! ....
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
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8 de Julho de 2008
" VAZIO.... " de Isabel Valente

Vida que é vivida, vazia de afectos, palavras, carinhos, não pode ser vida, para ser vivida ,apenas sozinhos.
Se a vida nos dá :
Diálogo dos silêncios.
Solidão de mãos dadas,
É vida vazia, apenas vivida, mesmo acompanhada.
São cacos colados, corações partidos,
Sentimentos castrados,
Sonhos proibidos.
São vidas sem cor,
Sem gestos de amor
Apenas fachada,
É vida de quem, amar pouco sabe, ou apenas nada!
Viver, por viver, apenas num mundo, feito fantasia, mil vezes sofrer, a ter que morrer um pouco cada dia.
Isabel Valente
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3 de Julho de 2008
NOSTALGIA

(Foto da autoria de Ricardo Chaves )
O texto abaixo é uma transcrição do publicado no blog do RICARDO CHAVES
aqui:
Porque me fez recuar à ilha de S.Maria de outros tempos, e porque felizmente ainda hoje é possivel ás nossas crianças (da ilha), viverem um pouco assim, " em liberdade ",aqui deixo este texto que me deu imenso gosto ler, que tenho e tenho outro tanto em partilhar.
Nascidos antes de 1986;
De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípio de 80 não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque:
-As nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.
-Não tínhamos frascos de medicamento com tampas “à prova de crianças”, os fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas.
-Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes.
-Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e “airbags” - viajar à frente era um bónus.
-Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem.
-Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora.
-Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.
-Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.
-Saía-mos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer. Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.
-Não tínhamos “Play Station”, “X Box”. Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, “home cinema”, telemóveis, computadores, DVD, “Chat” na internet.
-Tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar íamos à rua, jogávamos ao elástico e à barra e à bola até doía, caíamos das árvores, cortava-mo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal. Haviam lutas com punhos mas sem sermos processados.
-Batíamos ás portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.
-Íamos a pé para casa dos amigos. Acreditem ou não íamos a pé para a escola, não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem.
-Criávamos jogos com paus e bolas.
-Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem, eles estavam do lado da lei.
Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.
Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.
Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.
És um deles? Parabéns!
Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças, antes dos advogados e governos regularem as nossas vidas, “para nosso bem”.
Para todos os outros que não têm idade suficiente pensei que gostassem de ler acerca de nós.
Isto meus amigos é surpreendentemente medonho… e talvez ponha um sorriso nos vossos lábios:
A maioria dos estudantes que estão nas universidades hoje nasceram em 1986…chamam-se jovens.
Nunca ouviram “we are the world” e “uptown girl” conhecem de Westlife e não Billy Joel.
Nunca ouviram falar de Rick Astley, Banarama ou Belinda Carlisle. Para eles sempre houve uma Alemanha e um Vietname.
A SIDA sempre existiu. Os CD’s sempre existiram. O Michael Jackson sempre foi branco.
Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo fosse um dia “Deus da dança”.
Acreditam que Missão impossível e Anjos de Charlie são filmes do ano passado.
Não conseguem imaginar a vida sem computadores.
Não acreditam que houve televisão a preto e branco.
Agora vamos ver se estamos a ficar velhos:
1. Entendes o que está escrito acima e sorris;
2. Precisas de dormir mais depois de uma noitada;
3. Os teus amigos estão casados ou a casar;
4. Surpreende-te ver crianças tão à vontade com computadores;
5. Abanas a cabeça ao ver adolescentes com telemóveis;
6. Lembras-te da Gabriela (a primeira vez);
7. Encontras amigos e falas dos bons velhos tempos;
SIM. ESTÁS A FICAR VELHO, heheheh.
…mas tivemos uma infância do caraças!!!
Pois tivemos.
Desconheço o AUTOR
... que certamente é da minha ilha S.Maria-Açores
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22 de Junho de 2008
ELOGIO AO AMOR de Miguel Esteves Cardoso

Ou de como eu costumo dizer:
- O Amor é como o Chocolate, não tem de fazer sentido.
Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la.
Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha.
O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza.
Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito.
Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido.
Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama.
Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado.
Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.
O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos,bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha.
Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.
Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja.
Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor.
É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode.
Tanto faz.
É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor.
A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino.
O amor puro é uma condição.
Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe.
Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma.
É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária.
A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida.
A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.
O coração guarda o que se nos escapa das mãos.
E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver
sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um minuto de amor pode durar a vida inteira.
E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso
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12 de Junho de 2008
* INTERROGAÇÃO * poema de José Maria Lopes de Araújo

Não tentes afastar-me do meu rumo,
Que eu bem sei o que quero e onde vou...
Não lembres o passado porque é fumo
Duma chama que, há muito, se apagou !
Da labareda ardente só ficou
A cinza da quimera e nada mais ...
Do meu passado tudo se queimou ...
E apenas restam meus doridos ais !
E deixem-me ficar, assim sozinho,
Com todo o sofrimento, no caminho
Que me há-de confundir ao Redentor ...
E pensar, meditar profundamente :
- Por que motivos alimenta a gente
Invejas, ódio, em vez de Paz e Amor ?
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO
do Livro " Outono da Vida "
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5 de Junho de 2008
O Teu Corpo poema de ÂNGELO GOMES

Deixa-me acordar, sorrir, esbracejar
Em cada alvorada de sonos inquietos
Pensamentos lentos, lista de afectos
Tua voz sentir, acto de inventar
Desenho o teu corpo enquanto desperto
De suave tecido em mãos de ternura
Que beijo e rebeijo com tanta doçura
E amo e possuo como se estivesses perto
Que venham sóis, chuvas ou tormentas
Que toquem os sinos abordando rebates
Que caiam ferros, pedras, alicates
Que as bocas estejam secas e sedentas
Oh... como adoro o teu corpo de frescura
Razão das razões... toque de magia
Que invade o meu, deixando nostalgia
Saudade intensa, retrospectiva pura
Corpos colados, invasão das mentes
Selados em lençóis ou calmas areias
Torcendo, mexendo, como centopeias
Acabando molhados, sôfregos, ardentes
Adoro o teu corpo de sonho e desejo...
Suporte de um todo que vejo e revejo.
ÂNGELO GOMES
Publicado no Recanto das Letras em 03/09/2006
Código do texto: T232095
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25 de Maio de 2008
TARDE...poema de Espínola Mendonça

Partiste no explendor da mocidade,
E esperei que voltasses novamente.
Escrevias dizendo: _Brevemente..._,
E esperei uma longa eternidade.
Anos depois tu voltas, finalmente;
E a mim mesmo pergunto se é verdade.
Porque sinto mais viva esta saudade
Do que no tempo em que estiveste ausente
Em vez d'essa alegria tão sonhada,
Olhámo-nos, os dois, sem dizer nada.
E cada qual de nós ficou mais triste.
Adivinhaste... e eu adivinhei:
Perguntas-me, talvez: _Porque voltei?_
E eu só te sei dizer: _Porque partiste?
Espínola de Mendonça
( 1891-1944 )
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28 de Abril de 2008
APETECE-ME poema de Ângelo Gomes

APETECE-ME, beber na tua boca, o veneno que mata os meus desejos
Presos nas amarras do pensamento,
Que nem o vento
Soube levar a paragens longínquas…
APETECE-ME. Mordiscar os dedos dos teus cabelos,
Que nem torturados,
Confessam pecados……………
APETECE-ME, atravessar os rios do teu corpo,
Que nem leito preguiçoso,
Bebendo gota a gota em descarada timidez,
o suor da tua nudez……..
APETECE-ME, arrancar pedaços de ti,
que nem pétalas de pálidas flores,
que por amores
têm apenas a maldade
de encobrir a falsa virgindade……….
APETECE-ME, rasgar as tuas entranhas
E roubar-te o grito do prazer,
Que nem loucuras tamanhas
Fizeram orgasmos assim,
E por fim,
APETECE-ME, violar o teu abraço,
Para no meu cansaço
Saborear o mel
Que escorre da tua pele,
Arrepiado….
Saciado…….
APETECE-TE????
Diz…..
APETECE-ME, sim……
APETECE-ME SER FELIZ……….
Ângelo Gomes
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16 de Abril de 2008
O TEU OLHAR poema de Ângelo Gomes

Que é feito do olhar que me tirava das trevas?
Que é feito da doçura que me curava tédios?
Que é feito dos prédios alicerçados em ti….
Que é feito de mim… que é feito do sorriso,
Do cristal, das margens do rio que chora e não ri?
Que falta me fazem os teus olhos de seda !…
Que nostalgia, que vácuo, que varanda sem horizontes...
Que fontes secas, que vida sem forma nem conteúdo !...
Que Entrudo de máscaras que disfarçam as mágoas….
Que fráguas, que colinas íngremes, que montes !...
O teu olhar !... a suavidade cremosa das tuas palavras …
Que travas … que lavas como quem descobre pepitas de ouro …
Que colocas a soro na convalescença dos tempos !....
O teu olhar !... a tua intensa vontade de viver …
Que é feito da generosidade que te eleva como ser?
Ângelo Gomes
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3 de Abril de 2008
DESDE QUE EU O VI... poema da Alemanha , de Albert Von Chamisso
Desde que eu o vi,
Cega julgo estar;
Só a ele vejo,
Olha pra onde olhar;
Com a sua imagem
Sonho em pleno dia,
Vem das trevas, sobe,
Clara de harmonia.
Sem ele tudo é
Sem luz e sem cor,
Já não me apetece
Coas irmãs brincar;
Agora só quero
No quarto chorar;
Desde que eu o vi,
Cega julgo estar.
Trad: João Barrento
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30 de Março de 2008
* Como Eu Te Amo * poema de Elizabeth Barrett Browning

Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh’alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.
Amo-te em cada dia, hora e segundo:
À luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.
Amo-te com o doer da velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingénua e forte.
Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte.
Elizabeth Barrett Browning
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8 de Março de 2008
* Indelével Saudade * poema de EUCLIDES CAVACO

Eu choro nos meus versos a saudade
Que é dos ausentes a eterna companheira
Como parte do seu ser que sempre há-de
Ser uma angústia que alimenta a vida inteira.
Deixei chorar minha caneta de amargura
Porque sentiu do seu poeta a emoção
Viu que as palavras nada tinham de loucura
Eram ditadas dum plangente coração...
E a caneta vai chorando em cada dia
Da minha mão sentindo a fragilidade
Porque ela entende dum ausente a agonia!...
São os meus versos portadores dessa ansiedade
Feita palavra...É filha da nostalgia
À qual nós demos o nome de Saudade !...
Euclides Cavaco
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* FIVE O'CLOCK TEAR * poema de EMANUEL FÉLIX

Coisa tão triste aqui esta mulher
com seus dedos pousados no deserto dos joelhos
com seus olhos voando devagar sobre a mesa
para pousar no talher
Coisa mais triste o seu vaivém macio
p'ra não amachucar uma invisível flora
que cresce na penumbra
dos velhos corredores desta casa onde mora
Que triste o seu entrar de novo nesta sala
que triste a sua chávena
e o gesto de pegá-la
E que triste e que triste a cadeira amarela
de onde se ergue um sossego um sossego infinito
que é apenas de vê-la
e por isso esquisito
E que tristes de súbito os seus pés nos sapatos
seus seios seus cabelos o seu corpo inclinado
o álbum a mesinha as manchas dos retratos
E que infinitamente triste triste
o selo do silêncio
do silêncio colado ao papel das paredes
da sala digo cela
em que comigo a vedes
Mas que infinitamente ainda mais triste triste
a chávena pousada
e o olhar confortando uma flor já esquecida
do sol
do ar
lá de fora
(da vida)
numa jarra parada
EMANUEL FÉLIX
(in "A Palavra O Açoite", 1977)
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20 de Fevereiro de 2008
EM BUSCA DO AMOR de Florbela Espanca

O meu Destino disse-me a chorar:
" Pela estrada da Vida vai andando,
E, aos que vires passar, interrogando
Acerca do Amor, que hás-de encontrar. "
Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas do meu sonho desfiando...
E noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando ...
Mesmo a um velho eu perguntei : " Velhinho,
Viste o Amor acaso em teu caminho ? "
E o velho estremeceu...olhou ...e riu...
Agora pela escada, já cansados,
Voltam todos pra trás desanimados ...
E eu paro a murmurar : " Ninguém o viu"! ..."
FLORBELA ESPANCA
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8 de Fevereiro de 2008
* SONETO * poema der E.E.Cummings (E.U.A)

Não será sempre assim... Quando não for,
Quando teus lábios forem de outro; quando
No rosto de outro o teu suspiro brando
Soprar; quando em silêncio, ou no maior
Delírio de plavras desvairando,
Ao teu peito o estreitares com fervor;
Quando, um dia, em frieza e desamor
Tua afeição por mim se for trocando:
Se tal acontecer, fala-me. Irei
Procurá-lo, dizer-lhe num sorriso:
" Goza a ventura que já gozei".
Depois, desviando os olhos, de improviso,
Longe, ah tão longe, um pássaro ouvirei
Cantar no meu perdido paraíso.
Tradução de : Manuel Bandeira
Livro: Rosa do Mundo
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4 de Fevereiro de 2008
* Á Cara Metade * poema de ADRIANO FERREIRA

É na paz do teu olhar, cheio de amor:
No arroubo da sua luz, que me ilumina:
No seu fulgor ingénuo de menina,
Onde embate meu ego, com fragor!
É nesse mar imenso de ternura;
No amplexo envolvente da sua calma,
Onde se espalha a pureza da tua alma
E onde mergulha a minha e se depura!
Quando, um dia, decrépito, no fim,
Já muito perto da última viagem,
Rezarei para estares junto a mim.
E no meu leito de morte, moribundo,
Gravarei, nas pupilas, tua imagem
-Meu doce guia, lá no outro mundo.
ADRIANO FERREIRA
Poeta da ilha de S.Maria - Açores
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27 de Janeiro de 2008
Fernando Pessoa
Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
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12 de Janeiro de 2008
* BRUMAS * Poema de Vitor Cintra

Nas brumas dos meus silêncios
Nascem visões encantadas,
Com ninfas, bruxas e fadas,
Sonhos de amor, sempre densos.
Nas brumas dos meus silêncios,
Onde os mistérios são nada,
Surgem paixões exaltadas,
Feitas desejos, imensos.
Nascem lembranças, eivadas
De sensações adiadas
E cheiros breves, intensos,
Sem ilusões ansiadas,
Em desespero, guardadas
Nas brumas dos meus silêncios.
VITOR CINTRA
do livro " MURMÚRIOS "
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7 de Janeiro de 2008
FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA poema " ...Á Velocidade do Amor"

Montei minhas asas brancas
e corri
para ti
à velocidade do amor
...fugias louca
rubra
informe
mais célebre
mais célebre ainda
mas num amplexo
parido
na furia
do meu desejo
absorvi
teu corpo
espuma ...
Desapareceste
de meus braços
teu cheiro teu som
teu eco se desfez no horizonte
em pó em vento em nada
Derrotado
Inerte
Fernando Monteiro
Do livro " Mar Branco "
Ilha de S.Maria - Açores
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2 de Janeiro de 2008
" NÓS "
poema de VITOR CINTRA

P'ra todos nós o segredo
Duma vivência serena,
Vem de mão dado co'o medo;
Que torna a vida pequena,
Atroz.
Quantos de nós fomos reis
Duma utopia sem par?
Quantos ditámos as leis
Num reino de imaginar? ...
Sem voz! ...
Quantos de nós fomos pajens
Dalgum senhor que há nos sonhos?
Quantos fizemos viagens
Rasgando mundos medonhos? ...
Mas sós! ...
Quantos de nós, por desejo
De desvendar o mistério,
Fomos perdendo o ensejo
De ver aquilo que é sério,
Em nós? ...
Vitor Cintra
do Livro " Murmúrios "
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20 de Dezembro de 2007
** RESPEITO **poema de VITOR CINTRA

Pelas beiras dos caminhos
Sabe Deus quantos velhinhos
Andarão neste Natal,
Sem que o mundo à sua frente
Lhes prometa que o presente
Não será sempre o normal.
Quando o hoje é semelhante
Ao passado, já distante,
Como o ontem foi igual,
O futuro não existe
Num presente, que é tão triste,
Sem prever melhor final.
O saber de muitos povos
Determina que os mais novos
Reconheçam no idoso,
Na velhice, ter direito
A viver com mais respeito
E uns anos de repouso.
Mas serão tão atrasados
Esses povos, apontados
Como gente mais selvagem?...
Ou será que o ocidente,
Se tornou tão indif'rente,
Que resusa aprendizagem? ...
VITOR CINTRA
" Relances "
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16 de Dezembro de 2007
" SANTA MARIA "
poema de * BEATRIZ BRAGA *
Ilha de S.Maria - Açores

Santa Maria,
barco meu,
que no oceano flutua.
E nós, eu e tu
à deriva, sem destino
vamos como que
a dar sentido,
à minha sina... à tua ...
És tudo p'ra mim,
és a flor,
és estrela,
és jardim ...
És sol, és lua,
És meu lar,
minha terra, meu mundo,
minha vida, minha rua.
Mas tu barco meu
continuarás tua viagem,
enquanto eu
em breve te deixarei,
pois sou uma simples tripulante,
que por cá está de passagem.
Mas o que importa, eu grito,
grito-o com alegria:
Sou filha tua,
filha de Santa Maria,
desse barco que flutua ! ...
Autoria de : BEATRIZ BRAGA
do Livro:
" Musas da Minha Terra " de Adriano Ferreira
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12 de Dezembro de 2007
* TEUS LÁBIOS * poema de VITOR CINTRA

Teus lábios carnudos,
Macios, veludo,
Poemas de cor,
Ainda que mudos
Revelam, em tudo,
Desejos, ardor;
Em tempos tristonhos,
Por falta, suponho,
Das juras de amor,
Teus lábios risonhos,
Despertam o sonho,
São beijos de flor.
VITOR CINTRA
do livro " Murmúrios "
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11 de Dezembro de 2007
" DIZEM "
Poema de Israel do poeta Hathan Zakh ( n.1930)
Aquele que tropeçou, tropeçou
dizem
que aquele que traiu traiu
dizem
que aquele que está só está só
dizem
que aquele que esqueceu esqueceu
dizem
que aquele que não está contigo
dizem que se foi embora
dizem que esqueceu
Tradução de : CECÍLIA MEIRELES
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10 de Dezembro de 2007
SIDÓNIO BETTENCOURT poema " RESIGNAÇÃO "

O tédio esta manhã, a ilha descoberta trazendo o mesmo cheiro amargo.
a atmosfera sem pintura.o navio.o mar ao largo. o voo da gaivota sem ternura
lá vão
a carroça, a bilha do leite,
o cão, a missa, o vapor, tudo aceite
O vulcão em banho de broa. o amor apertado na lança. cantarei contigo sempre à toa do lado azul da esperança.
Lá vão
a carroça, a bilha do leite,
o cão, a missa, o vapor, tudo aceite
raiz em envelope fechado. sagrado, feito emoção. isto não tem fim, não... no meio o mar, o grito. a balada. a força da razão
lá vão
a carroça, a bilha do leite,
o cão, a missa, o vapor,
tudo aceite.
Sidónio Bettencourt
Do livro " Deserto de Todas as Chuvas "
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8 de Dezembro de 2007
HORAS RUBRAS poema de Florbela Espanca
Sou chama e neve branca e misteriosa...
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4 de Dezembro de 2007
CEGUEIRA DA AMOR de Meleagro (sec.II-I a.C)

Um caso singular
mas sempre verdadeiro:
se poiso em ti o olhar
-abranjo o mundo inteiro ! ...
Porém, ó fado torvo e prepotente,
porém, ó sorte perra e negredada,
se tu não vens, e passa toda a gente,
Cego de repente
- Já não vejo nada! ...
Trad:Augusto Gil
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30 de Novembro de 2007
O BEIJO poema da Grécia- Poeta anónimo
Um rapaz beijou-me ontem à tarde
E o seu beijo era um vinho perfumado
Tão longamente bebi nesses lábios o vinho do amor
que ainda agora me sinto embriagado.
Trad: Jorge Sousa Braga
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24 de Novembro de 2007
Daniel Gonçalves do livro
* O AFECTO DAS PALAVRAS *
trazendo da terra a água para o teu coração
quero que respires como a nossa ameixieira
e como ela te ergas sobre o rosto da manhã
quero que ouças o meu sangue dentro de ti
como um relógio marcando o pulso da sede
e que nesse sopro de música saibas o amor
e nem uma palavra te atravesse a respiração
DANIEL GONÇALVES
ilha de S. Maria - Açores
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22 de Novembro de 2007
Coisas de Chat
Recebido por e-mail
Oi, quer teclar?
Podemos tentar...
De onde você é? Quantos anos? O que faz? Do que gosta?
Nossa... quanta pergunta!
Tudo bem, eu exagerei, acho que lhe assustei.
Aí eu conversei com ele... um dia, dois dias... um ano...
Um verão... um outono...
Era pela manhã no começo... depois viramos tudo pro avesso
Era de tarde... de noite... de madrugada,
Não tinha mais hora marcada.
Eu corria pro computador e quando não o encontrava...
Ai que dor!
Eu gostava das suas palavras...
Até daquela risada que eu não podia ouvir,
Mas que o meu coração podia sentir.
Oieeeeee... tava te esperando!!!
Oi amor... eu tava trabalhando
Escrevi uma coisinha pra você, quer ver?
Claro, pode mandar, eu sei que vou gostar.
" Quando amanhece o dia e você não vem,
O meu sol não brilha e eu choro pela falta da sua companhia."
Ah... que lindo... tô aqui lhe sentindo!
Como o amor virtual... não tem igual
A gente diz tudo que pensa, tudo que precisa,
Tudo que é permitido e até o que é proibido.
Ele é bonito, ela é maravilhosa,
Ele é sensual, ela é gostosa.
Ele é inteligente, ela tem um jeitinho carente
Ele é alegre, ela é ciumenta, ele anima, ela movimenta.
Amor... eu tô com saudade
Eu também, tô até com vontade...
Hum...então vamu lá... tô pronta pra começar!
Era sexo virtual toda hora
E era gostoso... virava uma história.
Era fantasia misturada com alegria
Mas também rolava amor...
E quando acabava, restava um gostinho de dor.
É que não tinha em seguida o aconchego
Nem o cigarro...
Clicava-se num botão
E apagava-se a emoção.
Mas amanhecia o dia... e de novo,
Nos fazíamos companhia.
É, esse danado de amor virtual viciiiiia!
A gente fica dependente daquele carinho
Daquele ninho
Daquele amor eletrônico
Daquele carinho astronômico.
Oi Amor!
Oi meu bem...
Hummmm...
O que você tem? Tô sentindo uma tristezazinha...
É ... tô na minha
Vontade de lhe tocar... de lhe ver e de lhe beijar
...E nessa hora era uma chateação.
Porque eu o tinha, mas ele não era meu,
Eu era dele, mas ele não me tinha...
Ô coisa complicadinha.
Era um amor virtual, mas era real...
Todo dia de manhã o meu sorriso se iluminava
Antes de tomar café eu já conectava
E quando puxava meus mails
Nem queria saber de quem veio
Ia direto na listinha do correio
Procurando o seu e-mail...
Até que saltava aos meus olhos
*sempreseu@hotmail.com*
Meu amor, hoje vou demorar a aparecer,
Tô com trabalho até morrer...
Mas prometo... não vou lhe esquecer.
Daquelas palavras eu me alimentava
Eu as



















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